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Chávez em Portugal "à procura de oportunidades"

Chávez em Portugal "à procura de oportunidades"

O Presidente da Venezuela chegou este domingo a Portugal com o propósito declarado de dar “as duas mãos” a José Sócrates “num momento difícil para Portugal”. À frente de uma delegação de nove ministros do seu Governo, Hugo Chávez veio também colocar a assinatura num conjunto de acordos comerciais que inclui a encomenda de navios aos Estaleiros de Viana do Castelo e a aquisição de milhão e meio de computadores “Magalhães”.

RTP /
O primeiro-ministro, José Sócrates, falou de “um grande dia para as relações" entre Portugal e a Venezuela José Coelho, Lusa

“Estamos à procura de oportunidades em todo o Mundo e viemos aqui a pedido do meu amigo José Sócrates, um bom homem. Num momento difícil para Portugal, viemos dar-lhe as mãos”, declarou o Presidente venezuelano após a aterragem no Porto. À sua espera tinha o secretário de Estado do Comércio e da Defesa do Consumidor e o embaixador da Venezuela. Fiel ao seu estilo, Hugo Chávez principiou a visita com a defesa da união entre os dois países para “enfrentar um século que começou com um grande peso sobre os povos, o peso do modelo capitalista”. E também com a promessa de que “a Venezuela vai enviar mais petróleo”.

A comitiva venezuelana rumou, em seguida, aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde Chávez se juntou ao primeiro-ministro português para oficializar vários acordos, entre os quais o da construção de dois navios de transporte de asfalto, no valor de 130 milhões de euros, e o da adaptação de um ferry para transporte de passageiros e viaturas, calculado em 35 milhões de euros. À chegada aos estaleiros, o Chefe de Estado mostrar-se-ia “muito interessado” na aquisição dos navios Atlântida e Anticiclone, que haviam sido encomendados pelo Governo Regional dos Açores.

Chávez chegou sorridente aos Estaleiros de Viana do Castelo. Fê-lo com estrépito ao volante de uma carrinha de oito lugares. Buzinou, apeou-se e abraçou Sócrates.

Assinalando o que disse ser o “contributo” da visita de Chávez “para a economia e o emprego”, o primeiro-ministro falou de “um grande dia para as relações entre os dois países”, que se traduzem, reforçou, numa cooperação económica “muito intensa”. “Em 2007, as exportações portuguesas para a Venezuela eram de 17 milhões de euros, praticamente inexistentes. Em 2009 eram já de 122 milhões de euros. Este ano, de Janeiro a Agosto, já vendemos para a Venezuela cerca de 100 milhões de euros”, desfiou.

“Magalhães” para a Venezuela
Após a assinatura dos acordos em Viana do Castelo, Hugo Chávez deslocou-se a Matosinhos para uma visita à fábrica de computadores “Magalhães” da JP Sá Couto. A empresa tem actualmente em execução dois contratos para o fornecimento de 850 mil computadores à Venezuela. Um terceiro contrato irá enquadrar o fornecimento de mais 1,5 milhões nos próximos três anos.

No âmbito da visita, Portugal recupera ainda um compromisso para que o Grupo Lena construa 2.500 habitações sociais e três fábricas na Venezuela. Outro dos acordos na agenda da missão portuguesa de Chávez diz respeito à área das energias renováveis.

Em Viana do Castelo, o Presidente venezuelano fez também uma visita à fábrica de torres eólicas da Enercom. Onde falou de um “grande contributo de Portugal para o desenvolvimento do Mundo” com os investimentos em energias renováveis. “Este tipo de energia é o futuro”, disse Chávez, acrescentando que “algum dia há-de acabar o petróleo neste planeta, esperemos que em 3500, mas algum dia há-de acabar”.

Protestos à espera de Sócrates
À chegada aos Estaleiros de Viana do Castelo, José Sócrates tinha à sua espera uma manifestação contra a introdução de portagens na A28. O protesto foi organizado pelo movimento Naturalmente Não às Portagens - dezenas de manifestantes empunharam cartazes a questionar se o primeiro-ministro e Hugo Chávez vieram pela Estrada Nacional 13.

“Vimos Chávez, não vimos José Sócrates. Lamentavelmente, José Sócrates, sempre que tem a população para o receber, mesmo de forma ordeira como estávamos aqui, só para lhe fazer a pergunta se vieram pela Nacional 13, foge às populações, foge às responsabilidades, o que é manifestamente lamentável”, afirmou à RTP Jorge Passos, do movimento Naturalmente Não às Portagens.

Em declarações citadas pela agência Lusa, Jorge Passos lembrou que a Auto-estrada 28, construída há cerca de 16 anos com a designação de IC1, tinha por objectivo funcionar “como uma via alternativa à N13, por esta não comportar o trânsito que tinha já na ocasião e por ser o segundo ponto negro da sinistralidade nacional”.
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