China abre-se a conteúdos televisivos e importações de Taiwan após visita da oposição
A China anunciou no domingo medidas para reforçar os laços com Taiwan, incluindo o aumento de voos e a facilitação de importações agrícolas, após um raro encontro entre o Presidente chinês e a líder da oposição taiwanesa.
Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, Pequim apresentou um plano de dez pontos que prevê a retoma plena dos voos diretos de passageiros através do Estreito de Taiwan, bem como medidas para facilitar a entrada de produtos agrícolas e das pescas oriundos da ilha.
O plano surge na sequência da reunião, na sexta-feira, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e Cheng Li-wun, líder do Kuomintang (KMT), o principal partido da oposição taiwanesa, na primeira visita de um dirigente do KMT à China em cerca de uma década.
Cheng classificou a deslocação como uma "viagem histórica para a paz", num contexto de tensões crescentes no estreito, onde Pequim reivindica soberania sobre Taiwan e não exclui o uso da força para alcançar a reunificação.
A China indicou ainda que vai permitir a importação de séries televisivas taiwanesas consideradas "adequadas" e promover intercâmbios entre jovens, além de explorar a criação de um mecanismo regular de comunicação entre o Partido Comunista Chinês e o KMT.
Analistas citados pela imprensa internacional consideram que estas medidas visam reforçar a perceção de que a paz e a estabilidade no estreito são possíveis, embora possam ser recebidas com ceticismo por parte da sociedade taiwanesa, que poderá interpretá-las como uma tentativa de aprofundar divisões internas.
O Governo taiwanês criticou o plano, classificando-o como uma "transação política" entre o KMT e o Partido Comunista Chinês, e acusou Pequim de procurar influenciar a política interna da ilha.
"Todos os assuntos entre os dois lados do estreito que envolvam autoridade pública devem ser negociados entre os governos, em condições de igualdade e dignidade, para serem eficazes", afirmou o Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan.
Durante o encontro, Xi advertiu contra qualquer avanço no sentido da independência de Taiwan, que classificou como "o principal fator de desestabilização da paz no estreito".
A reunião ocorre antes de uma cimeira prevista para meados de maio entre Xi e o Presidente norte-americano, Donald Trump, num momento em que Pequim procura influenciar a política de Washington em relação a Taiwan, incluindo no que diz respeito à venda de armamento à ilha.