China defende prospeção de recursos piscícolas a leste de Taiwan após protesto de Taipé
A China defendeu hoje a legalidade da prospeção de recursos piscícolas realizada por um navio científico a leste de Taiwan, rejeitando as acusações de Taipé de violação da soberania da ilha e de conduzir uma operação de "guerra cognitiva".
O porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Governo chinês), Chen Binhua, afirmou que o estudo, realizado entre 17 e 23 de julho pelo navio Lanhai 201, da Academia Chinesa de Ciências Piscícolas, foi uma atividade científica "inteiramente legítima e legal", destinada a avaliar o estado dos recursos piscícolas da zona e promover a sua conservação.
Segundo Chen, a investigação decorreu em "águas sob jurisdição chinesa" e beneficia ambas as margens do estreito de Taiwan, considerando, por isso, infundadas as críticas do Partido Democrático Progressista (DPP), no poder em Taiwan.
O porta-voz acusou ainda o Governo taiwanês de aproveitar o incidente para justificar um aumento do orçamento destinado às forças marítimas da ilha, classificando essa atuação como uma "manipulação política" destinada a fomentar a confrontação entre as duas partes.
As declarações surgem depois de Taipé ter denunciado, na semana passada, que o Lanhai 201 realizou uma prospeção numa área a leste da ilha sobre a qual Pequim reclama jurisdição.
Segundo as autoridades taiwanesas, estas atividades procuram reforçar as reivindicações territoriais chinesas sob o pretexto de investigação científica.
A Guarda Costeira de Taiwan afirmou então que acompanhou de perto os movimentos da embarcação e sustentou que a China "não tem direito a reclamar soberania nem jurisdição" sobre as águas situadas a leste da ilha, governada autonomamente desde 1949.
Trata-se do segundo estudo científico realizado por um navio chinês a leste de Taiwan desde junho, num contexto de crescente atividade de embarcações oficiais chinesas em torno do território, segundo as autoridades taiwanesas.
Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do território chinês e não exclui o recurso à força para alcançar a "reunificação", posição rejeitada pelo atual Governo taiwanês, que considera a ilha um Estado soberano e independente de facto, com o nome oficial de República da China.