China fixa tarifa de 55% à importação de carne australiana depois de esgotada quota anual

China fixa tarifa de 55% à importação de carne australiana depois de esgotada quota anual

A China irá aplicar, a partir deste sábado, um direito aduaneiro adicional de 55% às importações de carne de vaca proveniente da Austrália, depois de as remessas desse país terem esgotado a quota anual fixada por Pequim.

Lusa /
Dominique Patton - Reuters

As importações de carne de vaca australiana atingiram esta semana 100% da quota específica atribuída a esse país, de acordo com um aviso publicado hoje pelo Ministério do Comércio chinês, e a tarifa entra em vigor no dia seguinte.

A China aplica, desde 01 de janeiro de 2026, medidas de proteção à carne de vaca importada, com quotas por país e uma tarifa adicional de 55% para as remessas que excedam os volumes estabelecidos.

A investigação que deu origem à medida foi iniciada em dezembro de 2024 e concluiu que o aumento das importações de carne de vaca causou um "prejuízo grave" à indústria nacional, segundo o Ministério do Comércio.

O sistema afeta grandes fornecedores como Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, e fixa para 2026 uma quota total de 2,69 milhões de toneladas para os países afetados pelas medidas de proteção impostas por Pequim, de acordo com dados recolhidos pela imprensa chinesa.

O aviso publicado hoje surge depois de o Ministério do Comércio ter alertado este mês que as importações de carne de vaca australiana tinham atingido 90% da quota anual e se aproximavam do nível que ativaria a tarifa adicional.

O ministério já tinha emitido, em maio, um aviso semelhante sobre o Brasil, ao referir que as exportações de carne de vaca tinham atingido 50% da quota anual.

O anúncio toca num setor sensível nas relações entre a China e o país da Oceânia: em dezembro de 2024, a Austrália afirmou que Pequim tinha eliminado as últimas restrições que pesavam sobre a sua carne de vaca, ao permitir novamente as compras provenientes de dois matadouros que continuavam afetados por vetos anteriores.

Desde 2020 que a China impõe vetos e direitos aduaneiros a produtos australianos como carvão, cevada, vinho, carne de vaca ou lagosta, depois de o anterior Governo australiano ter impulsionado uma investigação independente sobre a origem da COVID-19.

Desde a chegada ao poder do trabalhista Anthony Albanese, em 2022, ambos os países retomaram os contactos de alto nível e Pequim tem vindo a levantar as restrições comerciais, embora persistam atritos em áreas como o Indo-Pacífico, Taiwan, a cibersegurança e a influência chinesa no Pacífico.

Tópicos
PUB