China manifesta descontentamento aos EUA por novas restrições comerciais
A China transmitiu hoje aos Estados Unidos a sua preocupação com as mais recentes restrições comerciais impostas por Washington, incluindo medidas contra instituições científicas chinesas, novas tarifas e a proibição da importação de robôs humanoides.
O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, principal negociador comercial de Pequim com Washington, participou numa videoconferência com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o representante para o Comércio, Jamieson Greer.
Segundo um comunicado divulgado hoje pelo ministério do Comércio chinês, as duas partes mantiveram uma troca de opiniões "franca e construtiva" sobre a aplicação do consenso alcançado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, durante a cimeira realizada em maio, em Pequim, destinada a reforçar a cooperação e construir uma relação "construtiva e estrategicamente estável".
Apesar de um abrandamento das tensões registada após a cimeira entre Xi e Trump, os dois países continuam a trocar medidas restritivas e acusações em setores considerados sensíveis, nomeadamente a defesa, a inteligência artificial (IA) e os semicondutores.
A China foi alvo de várias das mais recentes restrições impostas pela Administração Trump, entre as quais medidas contra instituições científicas de referência, como as universidades de Fudan e Jiao Tong, em Xangai, que deixaram de poder receber financiamento do Pentágono para projetos de investigação científica de base nem disponibilizar equipamentos para esses projetos.
A China figura também entre os países abrangidos pelas tarifas anunciadas na semana passada pelos Estados Unidos contra dezenas de economias, alegadamente devido à insuficiência de medidas de combate ao trabalho forçado. No caso chinês, as tarifas ascendem a 12,5%.
A mais recente medida de Washington, além da ameaça de aplicar sanções a empresas tecnológicas chinesas por alegada utilização da técnica de "destilação" de modelos norte-americanos de inteligência artificial, consiste na proibição de novas importações de robôs humanoides, cuja produção é dominada por fabricantes chineses.
A "destilação" de modelos de inteligência artificial norte-americanos é o processo em que empresas estrangeiras usam as respostas de sistemas avançados dos EUA para treinar e copiar as capacidades de seus próprios modelos de forma mais rápida e barata.
Numa mensagem publicada na rede social X, Scott Bessent afirmou que os Estados Unidos transmitiram à China, durante a conversa, a expectativa de que Pequim cumpra integralmente os compromissos assumidos em matéria de exportações de terras raras e de importações de produtos agrícolas norte-americanos.
Os contactos decorrem antes da visita de Estado de Xi Jinping a Washington, prevista para 24 de setembro, que será a primeira de um Presidente chinês à Casa Branca desde 2015, quando Xi se reuniu com o então Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
A deslocação marcará o primeiro encontro entre Xi e Trump em território norte-americano e deverá centrar-se nas tensões comerciais e estratégicas que têm marcado as relações bilaterais nos últimos anos.