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Chinesa Manycore estreia-se na Bolsa de Valores de Hong Kong com subida de 172%

Chinesa Manycore estreia-se na Bolsa de Valores de Hong Kong com subida de 172%

A empresa chinesa de software de design de interiores Manycore Tech estreou-se hoje na bolsa de Hong Kong com uma subida de 171,65% na abertura, impulsionada pelo interesse dos investidores em sistemas operativos de inteligência artificial.

Lusa /
Joyce Zhou - Reuters

As ações abriram nos 20,7 dólares de Hong Kong (2,24 euros), bem acima do preço inicial de 7,62 dólares de Hong Kong (0,83 euros). Pelas 11:00 locais (04:00, em Lisboa), a subida abrandou para 124,41%.

A operação permitiu à empresa angariar cerca de 1.090 milhões de dólares de Hong Kong (118 milhões de euros), tendo a procura superado em 1.590 vezes a oferta de ações.

Fundada em 2011, a Manycore consolidou-se com o software de design de interiores Kujiale -- conhecido no exterior como Coohom --, mas a prolongada crise no setor imobiliário chinês levou a empresa a apostar, nos últimos anos, numa vertente de IA que designa como "inteligência dos espaços", baseada na interação com ambientes físicos.

A tecnológica desenvolveu modelos e ferramentas focados em `renders` (modelação por computador), reconstrução e geração de ambientes físicos, com aplicações na indústria transformadora, treino de robôs e criação de conteúdos para comércio eletrónico ou produções cinematográficas.

"A `inteligência dos espaços` não é uma indústria, é uma capacidade fundamental que pode ser aplicada a diferentes cenários", afirmou o cofundador e presidente da empresa, Huang Xiaohuang, citado pelo jornal South China Morning Post.

Segundo Huang, esta área é uma das três vertentes essenciais para alcançar a inteligência artificial geral (AGI), ao permitir que os sistemas compreendam o mundo físico, em conjunto com a chamada "inteligência incorporada", que controla as ações das máquinas, e os "modelos do mundo", que permitem prever o comportamento de objetos em ambientes reais.

O responsável, que participou no desenvolvimento da arquitetura CUDA da norte-americana Nvidia - atualmente a empresa mais valiosa do mundo -, ressalvou, no entanto, que a integração plena da IA no mundo físico "levará muito tempo".

O software de design de interiores continua a ser a principal fonte de receitas da Manycore, embora as novas aplicações estejam a crescer a ritmos de três dígitos. Em 2025, a empresa registou receitas de cerca de 97 milhões de dólares (82,7 milhões de euros) e prejuízos de aproximadamente 63 milhões de dólares (53,7 milhões de euros).

A tecnológica indicou que os fundos obtidos com a operação serão usados para investir em tecnologias-chave e infraestruturas, desenvolver produtos e financiar a expansão internacional. Atualmente, cerca de 10% das receitas provêm do exterior, embora estejam a crescer rapidamente.

A estreia da Manycore insere-se numa vaga de ofertas públicas iniciais no setor tecnológico na China, impulsionadas pelo crescimento da IA e pela expectativa de maior apoio de Pequim, após o Governo ter definido a autossuficiência tecnológica como prioridade no plano quinquenal para 2026-2030.

 

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