Circulação no metro esteve paralisada durante cinco horas

Circulação no metro esteve paralisada durante cinco horas

A circulação de comboios do Metropolitano de Lisboa foi restabelecida após as estações terem estado encerradas entre as 6h30 e as 11h. Os funcionários estiveram em greve. Milhares de passageiros tiveram maiores dificuldades em arranjar alternativa para circular na capital, uma vez que a empresa não houve serviços mínimos ou alternativos. Amanhã, a greve atinge os comboios da CP e os autocarros da Carris.

RTP /
Um conjunto de greves nos transportes públicos afeta a mobilidade na Grande Lisboa José Sena Goulão, Lusa

A circulação do metro em Lisboa esteve totalmente paralisada, pela terceira vez em dois meses, devido à greve dos trabalhadores contra os cortes e o congelamento salarial decretado pelo Governo no âmbito das medidas de austeridade.

"Todos os trabalhadores que estavam a trabalhar de noite, chegadas às 05h30, picaram o cartão e saíram. Entre todos aqueles que deveriam ter entrado depois das 5h30, ninguém entrou ao serviço", descreveu Diamantino Lopes, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS). O sindicalista referia-se aos trabalhadores de áreas operacionais, relacionadas com a circulação de comboios.

A empresa Metropolitano de Lisboa confirmou que "não há circulação do metro", encontrando-se “as estações estão encerradas". Contudo, "isto não implica que a adesão seja de 100 por cento. Apenas é num número que não permite ter as estações guarnecidas e todos os requisitos de segurança garantidos para avançar com a exploração", ressalvou o porta-voz da empresa.

Miguel Rodrigues aponta para uma "adesão próxima da anterior (paralisação), um pouco abaixo dos 60 por cento". A empresa fala dos prejuízos na ordem dos 80 mil euros.

Os sindicatos apontam números mais elevados de adesão à greve e garantem que se a reivindicação dos trabalhadores não for atendida prometem voltar a paralisar nos dias 29 de março, 5 e 7 de abril. Os funcionários do Metro já estiveram paralisados a 7 de fevereiro e a 15 de março.

Apesar da demissão do Governo, os sindicatos prometem prosseguir as ações de paralisação. "O Governo vai continuar na mesma durante algum tempo e reivindicamos o que nos cortaram a nível do congelamento dos salários. Por enquanto a situação política não traz nada de novo", comentou Diamantino Lopes, admitindo que a situação ainda terá de ser analisada pelos sindicatos.

Passageiros procuram alternativa
Sem serviços mínimos ou transportes alternativos, quem chegava a uma estação de metro encontrava nos autocarros da Carris e nos elétricos alternativa para se movimentar.

Às 8h, mais de uma centena de pessoas esperava no terminal rodoviário do Cais do Sodré, onde chegam os comboios da Linha de Cascais e os barcos da margem Sul, dificultando a circulação do trânsito, uma vez que as filas de espera prolongavam-se pelas vias de circulação automóvel.

Uma utilizadora habitual da linha de Cascais contou à agência Lusa que saiu mais cedo de casa para evitar chegar atrasada ao emprego pelo segundo dia consecutivo. “Já bastou ontem com a greve da CP", disse.

Um utente da Transtejo partiu de Almada com a certeza de que, esta manhã, a Carris seria a alternativa encontrada para se deslocar dentro de Lisboa. “Ontem a greve afectou-me mais porque não tive barco para vir da margem sul", disse.

Já uma moradora de Lisboa a trabalhar na margem Sul criticou as sucessivas paralisações nos transportes públicos da Grande Lisboa. "Andam a brincar com quem anda a trabalhar. O dinheiro dos passes já lá está e ontem tive que ir pela ponte, e gastar mais dinheiro", lamentou.

CP e Carris amanhã em nova greve
A greve no Metro de Lisboa sucede à paralisação dos maquinistas da CP (entre as 5h e as 9h) e dos trabalhadores da Transtejo e da Soflusa (três horas por turno), na quarta-feira, e antecede uma interrupção de 24 horas nos comboios da CP, CP Carga e Refer, marcada para amanhã. Os motoristas da Carris iniciam amanhã uma greve às horas extraordinárias, que se prolonga até 8 de abril.

A CP avisa que a jornada de greve, amanhã, poderá gerar perturbações na circulação dos comboios já na noite desta quinta-feira e ter ainda repercussões na manhã de sábado.

A CP prevê algumas supressões durante esta tarde nos serviços Alfa Pendular e Intercidades, nos serviços urbanos do Porto e nos serviços regionais e inter-regionais. “É expectável que estas supressões se venham a registar com maior incidência, em todos os serviços, a partir das 21h", refere a empresa em comunicado.

A CP decretou serviços mínimos para 25 por cento da totalidade de comboios programados para amanhã, principalmente nos períodos de maior afluência de clientes. No entanto, a empresa não vai disponibilizar transportes alternativos.

A empresa estima que "a retoma gradual da normalização dos serviços deverá ocorrer às primeiras horas da manhã" de sábado. "Considerando que esta greve ocorre em simultâneo com as greves às horas extraordinárias em vigor, decretadas por diversas organizações sindicais, é expectável que possam ocorrer perturbações adicionais", adverte a empresa.
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