Congresso da hotelaria junta pelo menos 400 pessoas nos Açores e supera expetativas
Ponta Delgada, 16 nov (Lusa) - O 28.º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que começa hoje em Ponta Delgada, nos Açores, conta com a participação de, pelo menos, 400 agentes do setor, superando as expetativas, disse a presidente executiva da AHP.
Questionada pela Agência Lusa, à chegada a Ponta Delgada, pelos motivos que fizeram aumentar a participação dos congressistas na reunião anual dos hoteleiros, superando em, pelo menos, 100 pessoas a estimativa da associação, a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, apontou várias razões.
"Ontem [terça-feira] informaram-me que já tínhamos passado as 400 pessoas, hoje não sei ainda ao certo quantos estão. Esperávamos 280 a 300 congressistas. Por um lado, é o hábito muito português do `last minute` [decisões de última hora] e, por outro, porque efetivamente também insistimos mais na comunicação agora no final [das inscrições]", começou por apontar a dirigente da AHP à Lusa.
Para além disso, acrescenta, este é "realmente um congresso muito forte. Foram várias coisas a puxar e a combinar" para o aumento da participação no congresso dos hoteleiros que pretende debater a atividade e o contexto atual sob o tema `Portugal, Vocação Atlântica`.
Já esta semana, Cristina Siza Vieira tinha explicado à Lusa que o posicionamento estratégico de Portugal - o facto de ser "a ponta mais ocidental da Europa" e de ter "ainda mais a Ocidente os Açores" - foi o que levou à escolha do tema do 28.º congresso da associação, que vai decorrer até sexta-feira, dia 18.
"É a meio caminho entre os dois continentes [América e Europa] e a plataforma atlântica óbvia de interesses estratégicos e interesse logístico de várias ordens. Portugal tem este posicionamento geográfico que nos permite ter as relações que temos com África, Brasil, com os EUA -- aliás, com a América toda -" e "o que cose todas estas nossas ligações é o Atlântico", lembrou a dirigente da AHP.
Este ano, há "uma outra oportunidade que é a questão do Reino Unido", afirmou.
O Reino Unido, principal mercado emissor de turistas para Portugal, velho aliado e um dos principais países das exportações nacionais, vai, assim, também centrar as atenções dos hoteleiros.
"O facto de o Reino Unido ter tomado a decisão de sair da União Europeia (`Brexit`), com consequências ainda imprevisíveis tão importantes - ou com consequências geopolíticas mais importantes ainda do que verdadeiramente económicas - e as várias questões que se colocam" são, atualmente, tema, refere, apesar de admitir que, para já, as consequências para o turismo nacional não se notam.
Mas as circunstâncias atuais levam a outro ponto de discussão interessante: o mercado dos Estados Unidos, como captar e fidelizar estes turistas num contexto em que se vão conhecendo as intenções do Presidente eleito, Donald Trump.
"Há dois pilares fundamentais nos quais assenta o turismo: a livre circulação de pessoas e a segurança. Sem estes não há turismo", sublinha a presidente executiva da AHP, acrescentando que se torna ainda mais oportuna a decisão de se fazer uma "reflexão política, estratégica, que importa ao Turismo" pelas razões mencionadas.
"O mercado norte-americano vai estar presente no nosso congresso de diferentes prismas: económico, turístico e do ponto de vista político, e vamos ter alguma oportunidade de olhar nas várias perspetivas (pelos intervenientes) para este continente, que é gigante", afirmou.
O congresso conta com vários intervenientes com conhecimentos nesta área, desde logo o investidor David Neeleman (acionista da TAP e presidente e dono de outras companhias aéreas), o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, o administrador do Grupo Pestana, Frederico Costa, bem como a Cônsul dos EUA nos Açores, Elizabeth Konick, entre outros.
A internacionalização dos grupos hoteleiros portugueses, a estratégia para "crescer em Portugal", as novas tendências no consumo digital ou a ética e os negócios são outros dos temas a ser debatidos em Ponta Delgada, de quarta a sexta-feira.