EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Consumo de gás natural sobe 11% em 2025 mas abaixo das médias anteriores

Consumo de gás natural sobe 11% em 2025 mas abaixo das médias anteriores

O consumo de gás em Portugal aumentou 11,1% para 45,0 TWh (terawatts/hora) em 2025, face a 2024, mas ficou 20% abaixo da média dos cinco anos anteriores, informou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Lusa /
Reuters

Segundo o "Boletim de Utilização das Infraestruturas de Gás" da ERSE, o aumento homólogo do consumo global foi impulsionado pela subida de 92,7% no mercado elétrico, enquanto o setor industrial e as redes de distribuição registaram uma redução de 14,7% e 3,1%, respetivamente.

O consumo total de gás de 45,0 TWh repartiu-se entre 13,8 TWh no mercado elétrico e 31,2 TWh no mercado convencional.

Considerando apenas o quarto trimestre de 2025, totalizou 12,0 TWh, mais 7,1% face ao trimestre homólogo, traduzindo um aumento de 33,3% no mercado elétrico (3,8 TWh), associado a maior utilização de centrais de ciclo combinado, e uma redução de 1,9% no mercado convencional (8,2 TWh).

"O aumento do consumo de gás resulta dos efeitos do `apagão` de 28 de abril de 2025, que implicou um reforço das medidas de segurança da operação do sistema elétrico, através de mobilização de centrais a gás", diz a ERSE.

O regulador detalha que a ponta diária em cada mês do consumo de gás registou valores acima do período homólogo de 2024, com exceção de dezembro.

No mesmo período, o preço médio do gás no Mercado Ibérico de Gás (Mibgas) com entrega em Espanha fixou-se em 29,75 Euro/MWh (euros por megawatt/hora), uma redução homóloga de 32,0%.

Segundo a ERSE, esta evolução "evidencia também uma menor volatilidade de preços", com "picos menos frequentes e amplitude de variação mais reduzida".

Em 2025, a capacidade contratada na regaseificação manteve-se estável, atingindo o valor de 179 GWh/dia (89,6% da capacidade disponível para fins comerciais - CDFC), tendo a média diária da capacidade nomeada sido de 124 gigawatts (GWh)/dia, abaixo do registado em 2024 (129 GWh/dia) e sem congestionamentos na contratação de capacidade na regaseificação.

O Terminal de GNL (gás natural liquefeito) de Sines - responsável pela receção, expedição, armazenamento e regaseificação de GNL - recebeu 46 navios metaneiros para operações de descarga, uma redução de 13,2% face ao total de navios recebidos em 2024.

As origens destes navios foram a Nigéria (23 navios metaneiros), EUA (20) e Rússia (três), tendo o valor total de energia descarregada no terminal correspondido a aproximadamente 47,7 TWh, menos 1,5% face a 2024.

O Terminal de GNL representou 94% do gás natural importado e injetado na rede de transporte, num total de 44,6 TWh. Além disso, foram expedidos por via rodoviária 2,2 TWh de GNL, correspondentes a 7.546 cisternas, refletindo um aumento homólogo de atividade de 2,9%.

No quarto trimestre de 2025, em 87% dos dias o processo de regaseificação foi utilizado entre 40% e 80% da sua capacidade, "deixando margem para responder a picos de procura", nota a ERSE.

No boletim, o regulador adianta ainda que, até final de 2025, a contratação média da capacidade de armazenamento subterrânea foi de 95,0% da CDFC, menos 4,3% em termos homólogos.

"O produto de capacidade anual manteve-se o mais procurado, pelo seu menor custo face aos de curto prazo", refere.

Já a capacidade de extração contratada atingiu 9,9% da CDFC, mais 27,4% face a 2024, enquanto a capacidade de injeção contratada no armazenamento subterrâneo se fixou em 29,8% da CDFC, 9,5% acima do valor homólogo de 2024.

"Portugal ultrapassou a meta intermédia europeia de armazenamento de gás (90%), atingindo 96,2% a 01 de novembro, enquanto a nível europeu o `stock` médio de gás armazenado em cavernas foi de 82,8%", destaca a ERSE.

Em 31 de dezembro, o `stock` de gás situou-se em 93,5% da CDFC, o equivalente a 27 dias de consumo médio nacional.

Relativamente ao Ponto Virtual de Interligação Ibérico (VIP Ibérico), que consolida as duas interligações entre Portugal e Espanha, "apresentou uma baixa utilização, registando um saldo exportador de aproximadamente 1,9 TWh".

Tópicos
PUB