Contagem decrescente para bens e serviços ainda mais caros em Portugal

Contagem decrescente para bens e serviços ainda mais caros em Portugal

Os preços de muitos bens e serviços voltam a agravar-se a partir de janeiro de 2013, embora o Governo, o Banco de Portugal e as instituições internacionais prevejam um abrandamento da taxa de inflação e que este aumento médio se situe em 0,9 por cento. A subida será assim inferior à verificada em 2012, ano em que foi agravada a taxa do IVA sobre vários produtos, o que levou a um aumento generalizado de preços de venda ao público.

RTP com Lusa /
Estão na calha aumentos no gás, eletricidade, telecomunicações, transportes, portagens, tabaco, bebidas alcoólicas e rendas Ian Britton, freefoto.com

A subida média resulta de um aumento no gás, na eletricidade, das telecomunicações, transportes, portagens, tabaco, bebidas alcoólicas e rendas, entre outros bens e serviços.Luz e gás
A partir de janeiro, a eletricidade vai subir 2,8 por cento e o gás 2,5 por cento, um valor que será revisto de três em três meses até ao final de 2015, altura em que o mercado ficará totalmente liberalizado e em que os consumidores terão de escolher o seu fornecedor de energia. De forma a travar possíveis aumentos desproporcionados, o Governo já revelou a intenção de criar um preço de referência para a eletricidade e para o gás após o fim das tarifas reguladas.

Na eletricidade, o aumento de 2,8 por cento nas tarifas de venda a clientes finais em 2013 representa um aumento de 1,24 euros numa fatura média mensal de 47 euros, atingindo a maioria das famílias portuguesas, mais ou menos 5,6 milhões de consumidores.

Em fevereiro a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) deverá anunciar as novas tarifas para o período entre 1 de abril e 30 de junho.

Por outro lado, as tarifas transitórias do gás para os consumidores domésticos e médias empresas, com consumos até 10 mil metros cúbicos e que se encontrem no mercado regulado, sofrem um aumento de 2,5 por cento a partir de 1 de janeiro de 2013.

“Esta revisão reflete a subida dos custos de aprovisionamento do gás natural e a análise das condições existentes no mercado liberalizado”, refere a ERSE em comunicado.

Os tarifários da ERSE servem de referência a todos os comercializadores do mercado liberalizado, onde estão a EDP, GALP, Endesa, Gas Natural, Fenosa e Iberdrola.
Falar ao telemóvel vai ficar mais caro
As três operadoras de telemóveis – TMN, Vodafone e Optimus – também se preparam para aumentar os preços em três por cento a partir de 1 de fevereiro, o que significa que a subida do tarifário nas comunicações móveis vai ser superior à taxa de inflação.

A primeira a anunciar um ajustamento médio de três por cento foi a Vodafone, seguida da TMN, que revelou que a partir de 1 de fevereiro os tarifários pré-pagos, pós-pagos e mensalidades de serviços vão sofrer um agravamento. Também a Optimus revelou que vai aumentar o preço das comunicações móveis.

Esta subida dos tarifários contraria a tendência de poupança dos portugueses, que em 2012 gastaram menos em comunicações móveis.

Segundo a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), “o tráfego em minutos desceu desde o início de 2012, totalizando 5,3 mil milhões no terceiro trimestre (menos 0,1 por cento do que nos três meses anteriores e menos 2,5 por cento comparativamente ao trimestre homólogo).

No terceiro trimestre de 2012, foram enviadas cerca de 7,1 mil milhões de mensagens escritas (SMS), o que representa um crescimento de 5,4 por cento face ao mesmo período de 2012, que corresponde a uma média de 322 SMS por mês e 11 por dia por utilizador.

Já no telefone fixo o tarifário do serviço universal baixa 23,3 por cento no preço por minuto das chamadas em horário normal, passando de 0,0318 para 0,0244 euros por minuto a partir de 1 de janeiro.
Portagens sobem 2,03 por cento
Também em janeiro, os preços das portagens nas autoestradas e ex-SCUT vão aumentar cerca de 2,03 por cento, segundo a fórmula de cálculo que resulta da taxa de inflação homóloga, divulgada em novembro pelo Instituto Nacional de Estatística.

O aumento previsto das portagens nas autoestradas e ex-SCUT no próximo ano compara com uma subida de 4,36 por cento verificada no ano em curso.
Rendas aumentam 3,4 por cento
Os inquilinos com contratos de arrendamento celebrados depois de 1990 vão ter, em 2013, um aumento máximo de 3,4 por cento, enquanto que nos contratos anteriores a atualização será negociada com o senhorio ou calculada segundo o valor fiscal do imóvel.

No entanto, os novos valores das rendas têm taxas de esforço máximo para as famílias carenciadas: até 10 por cento para rendimentos brutos de 500 euros, 17 por cento para rendimentos entre 501 euros e 1500 euros e 25 por cento desde os 1501 euros e até aos 2425 euros. Os inquilinos terão de provar os seus rendimentos, mediante uma declaração das Finanças.
Tabaco e bebidas alcoólicas voltam a aumentar
Por força de mais aumentos de impostos incluídos no Orçamento do Estado para 2013, o preço do tabaco e das bebidas alcoólicas deve sofrer um aumento.

Tal como nos anos anteriores, o Executivo decidiu-se por um aumento generalizado dos impostos que incidem sobre estes produtos, o que deverá implicar um aumento no preço de venda dos cigarros, tabaco de enrolar, charutos, cigarrilhas, cerveja e outras bebidas alcoólicas.

A taxa do Imposto sobre o Tabaco, a aplicar a cigarros, sobe 1,3 por cento. Já sobre os charutos e cigarrilhas o imposto sobe de 15 para 20 por cento. Já o chamado tabaco de corte fino, que tem como destino principal os cigarros de enrolar, passa a ser taxado como tabaco normal.

No caso das bebidas alcoólicas, o aumento generalizado é de 1,3 por cento. As cervejas sofrem esse aumento, tal como os produtos intermédios, por exemplo os vermutes. Já a taxa sobre as bebidas espirituosas aumenta 7,5 por cento.
Transportes sobem 0,9 por cento
Em 2013, os transportes públicos vão aumentar em “linha com a inflação”, o despacho governamental que estabelece o aumento foi publicado a 19 de dezembro e fixou em 0,9 por cento o aumento médio.

Os transportes públicos tiveram um aumento médio de 4,5 por cento em janeiro de 2011, uma decisão tomada pelo Governo socialista liderado por José Sócrates, e voltaram a sofrer uma subida intercalar de 15 por cento em agosto do mesmo ano, um mês depois de o Executivo de Pedro Passos Coelho ter tomado posse. Em janeiro de 2012, as tarifas aumentaram mais cinco por cento.
Taxas moderadoras

As taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde vão aumentar em janeiro de acordo com a inflação, excepto as consultas de medicina geral e familiar nos centros de saúde.

De acordo com a lei, o valor das taxas moderadoras é anualmente atualizado ao valor da inflação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística relativa ao ano civil anterior.

Uma consulta de especialidade num hospital que tem atualmente uma taxa de 7,50 euros passará a custar 7,71 euros. Já as taxas moderadoras de cinco euros nas consultas de medicina geral e familiar nos cuidados primários ficarão inalteradas.
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