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Cooperação Brasil-China na economia verde enfrenta obstáculos

Cooperação Brasil-China na economia verde enfrenta obstáculos

O economista brasileiro Jorge Arbache considerou hoje que Brasil e China têm interesses convergentes na transição energética, mas alerta que normas, certificações e mecanismos de mercado de carbono ainda travam uma cooperação mais eficaz.

Lusa /
Tingshu Wang - Pool via Reuters

O antigo vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caraíbas (CAF) foi um dos oradores convidados na edição deste ano do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF), que termina hoje.

Apesar da convergência de interesses, o antigo vice-ministro e economista-chefe no Ministério do Planeamento do Brasil alerta para obstáculos que ainda travam a cooperação, como normas, certificações e mecanismos de mercado de carbono.

"Se a China vier para o Brasil com 20 mil milhões de dólares americanos (17,3 mil milhões de euros) e falar `vamos trabalhar juntos`, não vai acontecer nada. Antes de colocar o dinheiro, eu preciso trabalhar nesses mecanismos", afirmou, sublinhando a necessidade de harmonização regulatória e redução do protecionismo.

Na sua visão, a parceria Brasil-China não deve ser entendida apenas como uma relação de cliente-fornecedor, mas como uma oportunidade de cooperação estratégica capaz de oferecer soluções sustentáveis ao mundo.

"O Brasil pode ser aliado da China na produção de combustíveis verdes e alumínio de baixo carbono, contribuindo para uma transição energética global mais rápida e eficaz", destacou.

Arbache defendeu o conceito de arbitragem de carbono (`carbon arbitrage`), defendendo que países com energia limpa e barata, como o Brasil, podem produzir bens intensivos em energia com muito menor impacto ambiental.

"Você pode produzir vários tipos de bens, um produto químico verde, a um custo menor e a um prazo muito menor de descarbonização", explicou.

Um exemplo citado é o alumínio verde: no Brasil, a produção de uma tonelada emite entre duas e quatro toneladas de dióxido de carbono, enquanto na China, dependente do carvão, o valor sobe para 21 a 23 toneladas.

Arbache calcula que transferir toda a produção global de alumínio para o Brasil poderia reduzir as emissões mundiais em até 4,5%.

A cooperação entre os dois países tem vindo a crescer em várias áreas, com Arbache a descrever que a China já representa entre 15% e 18% da geração de energia elétrica no Brasil, sobretudo em hidroeletricidade, e é também fornecedora de painéis solares e turbinas eólicas que têm contribuído para elevar a descarbonização da matriz elétrica brasileira para níveis próximos dos 92%.

"Enquanto a China busca fazer muitos gigantescos investimentos para descarbonizar a sua rede, como eu falava antes, o Brasil já fez esse investimento, ele já tem rede descarbonizada", afirmou Arbache à Lusa.

Estão em curso também projetos conjuntos em setores emergentes, como combustíveis verdes para navegação e aviação, e iniciativas ligadas ao agronegócio sustentável, incluindo a recuperação de áreas degradadas e a redução do impacto ambiental da produção agrícola.

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