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Crédito Agrícola quer autorização para competir com as mesmas armas que a concorrência

Crédito Agrícola quer autorização para competir com as mesmas armas que a concorrência

Lisboa, 23 fev (Lusa) - O Crédito Agrícola (CA) entregou no início deste ano às autoridades um projeto de revisão do seu regime jurídico, que lhe permitirá atuar como um banco que oferece serviços universais, mantendo o cariz corporativo, revelou hoje o presidente Costa Pinto.

Lusa /

"O CA acabou de entregar às autoridades um projeto de reestruturação do regime jurídico, mais adequado aos tempos complexos e difíceis que aí vêm", revelou João Costa Pinto, durante a apresentação das contas de 2011, em Lisboa.

"O CA tem sido submetido a todas as exigências colocadas aos maiores bancos portugueses, e ainda bem. Sendo assim, também deve poder usar as mesmas armas para contribuir para o desenvolvimento de todo o país", explicou.

O objetivo é "aproximar o quadro jurídico do CA ao dos outros bancos, sem perder a autonomia e natureza corporativa". Entre os objetivos, está a possibilidade de o CA gerir fundos de investimento mobiliários e imobiliários.

Mas não só. "Queremos expandir com os nossos associados a atividade para fora da atividade agrícola", sublinhou Costa Pinto, acrescentando que "as autoridades estão a analisar o projeto" entregue.

"Em qualquer país europeu isto já aconteceu. E os clientes das caixas agrícolas não têm restrições em qualquer setor de atividade. Embora o setor agrícola seja muito importante para o CA, este tem cada vez menos peso na economia portuguesa", justificou o gestor.

Considerando que o CA é "uma instituição média, em termos de dimensão, da banca portuguesa", Costa Pinto disse que a alteração do regime jurídico deverá ser aprovada pelas autoridades ao longo de 2012.

"Esperamos sinceramente que ainda este ano haja novidades. Este nunca é um processo unilateral e está dependente das autoridades, mas esperamos que não seja necessário um ano para obter um resultado positivo", afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre se esta alteração tem como motivação a obtenção de vantagens fiscais, Costa Pinto disse que "o CA é dos que mais paga em matéria de IRC, acima dos 25 por cento médios".

Isto, porque segundo o responsável, "o CA não faz arbitragem a nível fiscal, como outras entidades financeiras fazem, e bem, pelo que paga taxas efetivas de imposto muito acima da média do sistema bancário".

Sobre este `esforço` fiscal superior à concorrência, Costa Pinto disse que o mesmo "faz parte do contributo patriótico do CA".

Já sobre a dança de cadeiras que tem marcado os últimos meses na banca portuguesa (primeiro na CGD, depois no BCP e no Santander Totta, e mais recentemente no Banif), Costa Pinto disse considerar um movimento normal.

"É a vida normal das instituições. São cargos que são exercidos enquanto os acionistas e gestores estão unidos ou, no caso do CA, entre a gestão e os associados", considerou.

"É um problema que não se nos põe", assegurou, revelando que o mandato da atual equipa de gestão do CA termina no final de 2012.

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