Crescimento do PIB da China fica aquém do esperado

Crescimento do PIB da China fica aquém do esperado

A queda dos preços no imobiliário afetou a economia chinesa. Dados do departamento de estatística do colosso asiático, conhecidos esta segunda-feira, revelam que o crescimento trimestral foi de apenas 0,8 por cento em junho, contra 2,2 por cento dos primeiros três meses do ano.

Cristina Sambado - RTP /
Thomas Peter - Reuters

A economia chinesa registou uma expansão de 6,3 por cento no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando aquém das expectativas do mercado, uma vez que a procura das exportações se manteve tépida e a descida dos preços do imobiliário minou a confiança dos consumidores.

Segundo o departamento de estatística, em comparação com 2022, o PIB da China no período de abril a junho foi de 6,3 por cento, acelerando em relação ao ritmo de crescimento anual de 4,5 por cento nos primeiros três meses de 2023. Os economistas previam que o crescimento acelerasse para 7,3 por cento, segundo a Reuters.

Só no trimestre que terminou em junho, o crescimento desacelerou para 0,8 por cento, de um valor trimestral de 2,2 por cento em março.
No entanto, o ritmo excedeu as previsões de uma expansão de 0,5 por cento.

Nas últimas três décadas, o crescimento da China tem sustentado a economia mundial. Depois dos confinamentos de 2022 devido à covid-19, as previsões apontam que em 2023 o país registe uma rápida recuperação.

Atualmente, a economia chinesa está apenas atrás da norte-americana em termos de dimensão, sustentando os preços nos produtos base. A China é também a fonte de uma gama cada vez mais sofisticada de produtos, desde veículos elétricos a aviões e centrais de energia renovável, pelo que uma procura mais fraca no país pode resultar numa maior exportação desses produtos.

Em junho, o setor do comércio registou números muito fracos com uma queda de cerca de seis por cento
, com as exportações a caírem 8,3 por cento e a importações a diminuírem 2,6 por cento.

No mesmo mês, as vendas a retalho na China cresceram 3,1 por cento em comparação com um aumento de 12,7 por cento registado em maio. A Reuters avança que os economistas esperavam um crescimento de 3,2 por cento.

Os números do crescimento moderado são suscetíveis de alimentar as expetativas de novos esforços do governo de Xi Jinping para estimular a economia, a fim de garantir que o objetivo de crescimento de cinco por cento seja alcançado em 2023. Os números preliminares desta segunda-feira mostram que a economia cresceu 5,5 por cento nos primeiros seis meses. O NAB, um banco australiano, reduziu a sua previsão de crescimento da China em 2023 para 5,2 por cento, contra os 5,6% anteriores. As previsões para 2024 (4,5%) e 2025 (4,8%) permaneceram inalteradas.

O banco central chinês já baixou várias vezes as taxas de juro, numa tentativa de estimular a procura numa economia em que a inflação se condensou em grande parte, em contraciclo com outras partes do mundo.

Apesar de a taxa de desemprego urbano ter permanecido inalterada nos 5,2 por cento em junho, a proporção de desempregados com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos aumentou para um valor recorde de 21,3 por cento – o sexto aumento mensal consecutivo.

Os dados do departamento de estatística revelam ainda que o valor dos edifícios residenciais e comercias construídos recentemente continua a diminuir nas 70 maiores cidades chinesas.
Tópicos
PUB