Economia
Conversa Capital
Crise internacional está já a levar a uma contração do investimento público previsto? Sim, dizem os Industriais da Construção Civil e Obras Públicas
Ricardo Gomes, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e Jornal de Negócios, diz que "já há indícios de contenção na implementação dos planos das obras públicas" e que, de facto, estão a ser lançados menos concursos.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Em maio deste ano os concursos lançados registaram uma queda de 44 por cento e os contratos recuaram 30 por cento, em parte devido ao fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas também, segundo Ricardo Gomes, porque "há um refrear dos contratos lançados".
O líder da AICCOPN espera que não seja desde já um "sintoma de acomodação do exercício orçamental do ano".
O representante dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas lembra como, no passado, esses objetivos orçamentais comprometeram a atividade das empresas. Ricardo Gomes diz que, a nível do setor, a crise do Médio Oriente já se começa a fazer sentir, mas só deverá ter um verdadeiro impacto, nomeadamente com o aumento dos preços, dentro de três a seis meses. Apesar das contrariedades, o setor espera que os maiores impactos negativos sejam sentidos em 2027. Este ano deve acabar a crescer pelo menos 4 por cento, ainda assim abaixo dos 4,4 por cento previstos para 2026. Ainda relativamente à falta de concretização das grandes obras públicas, Ricardo Gomes considera a falta de planeamento o grande problema. O presidente da AICCOPN dá como exemplo o PRR e recusa a ideia de que a falta de mão de obra tenha sido responsável pela não execução do programa nos termos previstos. Adianta no Conversa Capital que se nada for feito, o PT2030 seguirá pelo mesmo caminho, até porque "está atrasado significativamente". Dá como exemplo o código da contratação pública, com uma complexidade só possível de ser gerida por alguns juristas e que, segundo refere, apenas visa "garantir o sucesso do currículo do ministro das Finanças". Já em relação ao Tribunal de Contas acusa-o de "antecipar julgamentos". Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Maria João Babo, do Jornal de Negócios.