Cuba começa restabelecimento de energia após terceiro apagão em 10 dias

Cuba começa restabelecimento de energia após terceiro apagão em 10 dias

Cuba começou a restabelecer o sistema elétrico do país na terça-feira à noite, após uma terceira falha total em menos de dez dias, que volta a pôr à prova o quotidiano dos 9,6 milhões de habitantes da ilha.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Yamil Lage - AFP

Cuba, que tem sido afetada pela escassez de combustível devido ao bloqueio petrolífero norte-americano, ficou novamente sem eletricidade devido a uma "oscilação" no sistema, provocada pela paragem súbita de uma central termoelétrica, o que gerou um desequilíbrio "abrupto" entre produção e consumo.

Na terça-feira à noite, cerca das 20:00 locais (02:00, hora de Lisboa), apenas 11,5% dos lares de Havana, cerca de 1,7 milhões de habitantes, tinham eletricidade, informou a União Elétrica de Cuba (UNE).

Foi a terceira falha geral desde o início de julho e a quinta desde o começo do ano. As duas anteriores ocorreram na semana passada e demoraram mais de 24 horas a serem resolvidas, apesar de os cortes prolongados serem quase permanentes devido à baixa produção.

"Não tenho palavras", lamentou à agência France-Presse (AFP) Maria Caridad Alvarez, dona de casa de 62 anos. "Quando acordei de manhã, a luz tinha voltado e consegui cozinhar feijão, mas agora que saio, já voltou a faltar. Parece que não há solução", acrescentou.

A crise energética está "a matar o entusiasmo de viver", testemunhou a sexagenária.

David Matias Rodriguez, reformado de 82 anos, disse estar preocupado com "as três pequenas coisas" que guarda no frigorífico.

Nas últimas semanas, os cortes chegaram a durar mais de 30 horas seguidas em Havana e vários dias nas províncias, apesar de um programa de construção de parques solares iniciado há dois anos.

Habitantes de zonas mais afetadas têm manifestado regularmente a sua frustração, incendiando montes de lixo ou batendo em panelas.

Em crise económica há cinco anos, Cuba sofre cortes frequentes devido à idade avançada das infraestruturas e à falta de combustível. A situação agravou-se desde que Washington bloqueou entregas de combustível para grupos geradores, que complementam a produção das sete centrais termoelétricas envelhecidas.

"Esta situação deve-se principalmente ao estado do nosso sistema elétrico, agravado pelas decisões dos Estados Unidos", afirmou terça-feira o ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy.

"É praticamente uma guerra que vivemos", disse, sublinhando a "ausência total de combustível" e a impossibilidade de obter peças de substituição para as centrais.

Segundo a UNE, a escassez de combustível torna a rede mais vulnerável a falhas e atrasa os trabalhos de restabelecimento, ao impedir o uso de geradores de emergência.

Desde janeiro, Washington apenas autorizou a chegada, em março, de um navio russo com 100.000 toneladas de crude, reservas entretanto esgotadas.

As relações entre EUA e Cuba deterioraram-se desde o início do ano, sobretudo após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, considera a ilha comunista, situada a 150 quilómetros da Florida, "uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos EUA e já advertiu várias vezes que poderá "tomar o controlo" de Cuba.

Os dois países mantêm negociações difíceis. No final de junho, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodriguez, reconheceu que não havia "qualquer progresso" nas conversações em curso.

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