Defender pausa na mineração em mar profundo "não é pedir ao mundo que pare" defende Panamá

Defender pausa na mineração em mar profundo "não é pedir ao mundo que pare" defende Panamá

O Panamá defendeu uma pausa preventiva na mineração em mar profundo, enquanto não houver conhecimento suficiente para decidir sobre a exploração de minerais, insistindo que "pedir uma pausa não é pedir ao mundo que pare".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Stine Jacobsen - Reuters

A posição foi defendida pela embaixadora do Panamá na Jamaica, durante um encontro da coligação Ocean Pioneers realizado no domingo, na véspera do arranque da Assembleia da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em Inglês) na 31.ª sessão, que decorre até sexta-feira em Kingston, Jamaica.

Banhado por dois oceanos - o Atlântico a norte e o Pacífico a sul - o Panamá é um dos 43 países representados na Assembleia da ISA que defenderam oficialmente uma pausa preventiva da mineração em mar profundo.

"Não queremos travar o desenvolvimento, nem estamos a dizer não ao progresso", sublinhou, em declarações à Lusa, a embaixadora Elida Guardia, que é também a representante permanente do Panamá na ISA.

Enquanto a ISA prossegue os esforços para alcançar o chamado `Mining Code`, que definirá as regras para a exploração comercial de minerais nos fundos marinhos internacionais, na sequência das negociações iniciadas em março, países como o Panamá pedem contenção.

O principal argumento é que o conhecimento atualmente disponível sobre o mar profundo é ainda insuficiente para sustentar decisões informadas, impondo uma abordagem de precaução.

"Pedir uma pausa não é pedir ao mundo que pare", insistiu Elida Guardia, acrescentando que, a par dos avanços científicos na investigação sobre o mar profundo, essa pausa pode implicar igualmente o desenvolvimento de tecnologias que permitam minimizar a intervenção e os danos causados aos fundos marinhos.

"Tudo isto pode ser feito em paralelo, mas não podemos ceder às pressões externas das grandes empresas", sublinhou.

Antecipando as sessões da Assembleia da ISA, que arrancam hoje, Elida Guardia disse que, enquanto representante permanente do Panamá, defenderá essa posição em plenário, esperando dos restantes 42 países o mesmo compromisso.

"Alguns países têm a sua própria agenda e os seus próprios interesses, mas todos sabemos que, sem ciência, sem conhecimento e sem dados sólidos que sustentem as decisões, não podemos permitir que nos pressionem a autorizar a exploração do fundo marinho", afirmou.

O grupo de 43 estados - entre os quais Portugal - que defenderam oficialmente uma pausa preventiva da mineração em mar profundo representa cerca de 25% dos 172 membros da Assembleia (171 estados e a União Europeia, enquanto organização regional).

A embaixadora argumentou que a conservação dos oceanos representa igualmente um compromisso para com a humanidade e, em particular, com os jovens.

"Não conhecemos as consequências, esse é o problema. Não sabemos quais serão as consequências de avançar com a exploração do fundo marinho", justificou, citando um ditado popular no Panamá que diz "Pan pa` hoy, hambre pa` mañana" (em português, "Pão para hoje, fome para amanhã"). 

Elida Guardia destacou ainda o papel dos povos indígenas e a necessidade de integrá-los no debate, valorizando o "conhecimento ancestral de quem sempre manteve uma relação de respeito com o mar".

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