Demolição parcial do Edifício Transparente por razões legais e ambientais avança em 2027
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, sublinhou hoje que a demolição parcial do Edifício Transparente, no Porto, se prende com razões legais e valores ambientais e avançou que o processo avançará em 2027.
"Penso que é em 2027 que começa a demolição. Isto é essencialmente por perigo de galgamento do mar, como nós fizemos com casas dos pescadores, 49 casas na Ilha de Faro (...) é uma decisão técnica, que permita à APA [Agência Portuguesa do Ambiente] fazer essa demolição. O que eu disse, que tem sido criticado por alguns arquitetos, mas que reafirmo: há uma questão visual e a paisagem é um valor ambiental, como muitos outros", disse Maria da Graça Carvalho.
No Porto, onde participou na sessão de abertura do XV Fórum dos Alunos de Engenharia do Ambiente que decorre hoje na Faculdade de Engenharia, a ministra do Ambiente reforçou que a demolição se prende com uma "razão legal".
"Ele está no domínio marítimo, em que não se pode construir, está em risco, e é essa a razão pela qual a APA propôs à Câmara Municipal do Porto a demolição", disse, sem esconder que vê este edifício construído no âmbito da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura como "uma barreira de betão".
"Ter uma paisagem bonita, ter uma ligação entre um espaço verde, que é aquela zona do Porto, e o mar, é algo que, do ponto de vista ambiental, é um valor. E, portanto, ter uma barreira de betão entre um espaço verde e o mar é algo que, do ponto de vista ambiental, não é muito aceitável (...). E pode-se contar que 2027 já está tudo decidido", concluiu.
A 07 de abril, em Caminha, no distrito de Viana do Castelo, a ministra do Ambiente considerou o Edifício Transparente um edifício "muito feio", expressão que tem gerado algumas críticas.
"Encontrámos no ministério muitos problemas de há muitos anos, de há algumas décadas. Este é da altura do Porto, Capital Europeia da Cultura [em 2001]. É um edifício que está no domínio marítimo e vai ser reformulado. Há um acordo já entre a APA e a Câmara, de partilha de custos, para baixar muito mais aquele edifício alto, para bem do ambiente, da paisagem e das pessoas, porque é uma praia muito bonita e está ali aquele edifício muito feio", observou Maria da Graça Carvalho, em resposta a questões dos jornalistas após uma visita às obras de consolidação do paredão de Moledo, em Caminha.
No sábado, a Ordem dos Arquitetos pediu uma reunião à Câmara do Porto sobre a anunciada intenção de demolição do Edifício Transparente, manifestando o presidente, Avelino Oliveira, apreensão quanto aos comentários sobre a estética da infraestrutura por parte de responsáveis políticos.
"As nossas relações institucionais com a Câmara do Porto são muito boas e, portanto, aquilo que nós solicitamos foi o ter conhecimento do andamento do processo", disse à Lusa o presidente do conselho diretivo nacional da Ordem dos Arquitetos, Avelino Oliveira.
Na sexta-feira, quer o presidente nacional quer o do Conselho Diretivo Regional Norte, Bruno Marques, "solicitaram à Câmara Municipal do Porto o agendamento de uma reunião para obter esclarecimentos sobre a intervenção prevista para o denominado Edifício Transparente", foi oficialmente comunicado.
Questionado sobre considerações sobre a estética do edifício por parte de responsáveis políticos, Avelino Oliveira manifestou "alguma apreensão".
Já o arquiteto Carlos Prata, responsável pela requalificação do Edifício Transparente, acusou a Câmara do Porto, a APA e o Ministério do Ambiente de terem "uma atitude `trumpiana`" ao decidir demolir parte do imóvel.
O Edifício Transparente foi construído em 2001 no âmbito do projeto de extensão do Parque da Cidade até ao mar, da autoria do arquiteto catalão Solà-Morales, intervenção financiada pelo programa Polis e integrada no plano de obras da empresa promotora do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.
O POC-CE, em vigor desde 2021, identifica 46 áreas críticas e determina o recuo de dezenas de núcleos habitacionais, bem como a proteção da praia Internacional no Porto, junto ao Edifício Transparente, cuja demolição está prevista até 2028.