Dentro de um ano, dentro de 20 anos, o euro estará aqui, diz Cavaco Silva

Dentro de um ano, dentro de 20 anos, o euro estará aqui, diz Cavaco Silva

Lisboa, 02 dez (Lusa) - O Presidente da República considera em entrevista à revista norte-americana Time que a meda única europeia será credível, manifestando a convicção de que dentro de um ano ou de 20 anos "o euro estará aqui".

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Questionado sobre se o euro será viável, Aníbal Cavaco Silva respondeu: "Será uma moeda credível a nível mundial. A integração é o ativo mais importante que a Europa tem e a componente chave da integração europeia é o euro. Dentro de um ano, dentro de 20 anos, o euro estará aqui".

Na entrevista, composta por dez perguntas e que Cavaco Silva concedeu à Time quando esteve de visita ao Estados Unidos da América em meados de novembro, Cavaco Silva aponta "a solução" como a próxima fase da crise, notando que na Grécia e em Itália já estão a ocorrer alterações políticas.

Contudo, acrescenta Cavaco Silva, demorou demasiado tempo para que os líderes europeus e mundiais reconhecessem que "nenhum país, nenhuma região" está a salvo do risco de contágio.

Sobre a possibilidade da China participar num resgate da Zona Euro, o Presidente da República recorda que o PIB `per capita` chinês é menos de metade do grego e que os próprios chineses questionam porque razão devem colocar dinheiro no Fundo Europeu de Estabilização Financeira, quando os próprios europeus não o fazem.

"O que eles disseram foi que estão preparados para, talvez, colocarem recursos extra no Fundo Monetário Internacional", lembra Cavaco Silva.

Nas 10 perguntas colocadas ao chefe de Estado português é ainda destacada a situação portuguesa, com Cavaco Silva a apontar algumas das coisas que correram mal, como o aumento da dívida externa ou a subida do défice.

"Agora estamos a corrigir esses erros", refere, reiterando a promessa de que Portugal irá cumprir o acordo de ajuda financeira negociado com a `troika` e que estão já a ser realizadas reformas estruturais para aumentar a produtividade.

Antevendo um "recuo" de 2,8 por cento na economia portuguesa no próximo ano, Cavaco Silva aponta como principal desafio para Portugal mostrar que é possível fazer melhor.

"O motor da economia portuguesa é as exportações. O investimento vai aumentar, mas isso depende da confiança dos investidores", acrescenta o chefe de Estado.

Recusando comparar a situação de Portugal à da Grécia, garantindo que "não há comparação possível", o chefe de Estado reconhece que o problema italiano é completamente diferente.

"Não é um problema de solvência, é um problema de liquidez", vinca o Presidente da República, recordando que apesar de a Itália ser a terceira maior economia da União Europeia e a oitava a nível mundial, "os mercados não confiam" no país.

Mas, acrescenta, agora a Itália tem à frente do Governo "um homem muito capaz", realçando e os mercados não prestam atenção apenas às medidas, mas também aos políticos.

Na entrevista, Cavaco Silva considera ainda a `Primavera Árabe` como um desenvolvimento positivo, lembrando que Portugal tem importantes empresas a operar na Líbia, no Egipto ou em Marrocos.

"Agora é uma questão de saber como os ajudar a construir instituições democráticas saudáveis. A Europa deve envolver-se na consolidação do processo democrático", advoga.

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