Desinformação é a doença do século - Comissão Europeia
A Comissão Europeia considerou hoje que "a desinformação é a doença do século", frisando que os esforços das plataformas digitais "nunca serão suficientes" para combater a propagação de notícias falsas na internet, e ameaçou criar regras mais apertadas.
"No que toca à desinformação, nunca vamos fazer o suficiente, esta é a doença do século", afirmou o comissário europeu do Mercado Interno, Thierry Breton.
Falando um debate `online` promovido pelo grupo de reflexão belga Centro de Regulação na Europa e no qual participou também o presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, o comissário europeu frisou que o combate às `fake news` é, para Bruxelas, "extremamente importante para a democracia", nomeadamente em altura de pandemia de covid-19, que já provocou um aumento na propagação deste tipo de conteúdos.
"Temos cinco ou seis comissários a trabalhar nesta área e [...] se as medidas em vigor não tiverem efeito, teremos de avançar para uma regulação mais reforçada", avisou Thierry Breton.
No início de maio, a Comissão Europeia divulgou estar a registar, diariamente, mais de 2.700 artigos com `fake news` relacionadas com a covid-19 nas redes sociais, entre publicações falsas ou enganosas.
Estes dados foram transmitidos ao executivo comunitário por plataformas digitais como a Google, Facebook, Twitter, Microsoft e Mozilla, que se comprometeram no final de 2018 a combater a desinformação nas suas páginas, através da assinatura de um código de conduta contra as `fake news`, um mecanismo voluntário de autorregulação que nos últimos meses tem sido centrado na desinformação sobre a covid-19.
Para o responsável francês, as plataformas digitais como o Facebook "têm obrigação de fazer diligências" para combater a desinformação.
"No final do dia, o último responsável [por conteúdos falsos disseminados] será sempre o Mark [Zuckerberg], mais ninguém", sublinhou Thierry Breton.
E exortou, por isso, a mais ação das tecnológicas, vincando ser melhor "antecipar e evitar que a Comissão tenha de intervir ao nível regulatório".
Também participando no debate `online`, Mark Zuckerberg reconheceu que o combate à desinformação "é uma batalha contínua".
Ainda assim, realçou os esforços do Facebook nesta matéria, indicando que existem, por exemplo, cerca de 30 mil pessoas a trabalhar na rede social para monitorizar se os conteúdos publicados pelos utilizadores "cumprem as regras".
Aqui inclui-se, de acordo com Mark Zuckerberg, uma filtragem tendo por base "20 categorias de conteúdos prejudicais", entre as quais a desinformação, a informação maliciosa e ainda a incitação ao ódio.
"Estamos a ficar melhores a detetar este tipo de conteúdos", assegurou o responsável, falando na eliminação de cerca de 15% dos conteúdos por estarem incluídos naquelas categorias.
Contudo, "ainda há muito fazer", reconheceu também Mark Zuckerberg.
Já em vigor na rede social Facebook, segundo o responsável, está um sistema que, ao detetar conteúdos falsos sobre a covid-19, emite alertas às pessoas que interagiram com essas publicações (ao nível de gostos ou comentários), além de eliminar estas informações.
"Essa pessoa é avisada e recebe `links` para fontes de informação credíveis" sobre a pandemia, adiantou Mark Zuckerberg.