Destruição da Yukos é "funesta" para a democracia russa diz Khodorkovski
O magnata Mikhail Khodorkovski, fundador da petrolífera privada russa Yukos, afirmou que a destruição da companhia terá consequências "funestas" para a democracia e a economia russas, num artigo hoje publicado pelo diário "Védomosti".
"Hoje, falar do destino da Yukos não tem sentido porque, a julgar por tudo, dificilmente será possível recuperar a companhia", disse Khodorkovski, em prisão preventiva desde Outubro de 2003 acusado de fraude e evasão fiscais.
Agora, adiantou, o mais importante é ver "que lições retirará o país e a sociedade do "caso Yukos", cuja acordo final (a venda com carácter judicial da Yuganskneftegaz) foi o sucesso mais irracional e devastador para a economia da Rússia durante a gestão do presidente Vladimir Putin".
Segundo Khodorkovski, "os métodos repressivos em política e a repartição da propriedade com o uso da força a favor de determinados grupos são incompatíveis com a tarefa de construir uma economia moderna".
O magnata russo referiu que no "caso da Yukos" o Estado se converteu num "tirano dos interesses das pessoas em concreto, quando estão investidas de poderes públicos".
Khodorkovski adverte no seu artigo, intitulado "Propriedade e Liberdade", que existe a ameaça de que o Estado se converta numa máquina ao serviço dos objectivos de determinadas pessoas.
Lamentou a destruição da Yukos, que em sua opinião é um duro golpe para os 150.000 trabalhadores da companhia, suas famílias, e também para os 30 milhões de russos que vivem nas cidades e povoações que depende do funcionamento normal do consórcio petrolífero.