Dias Loureiro sem mandato para representar fundo da SLN que viabilizou negócio de Porto Rico - Coutinho Rebelo
Lisboa, 25 Fev (Lusa) - Um antigo administrador do fundo da SLN que suportou o negócio de Porto Rico com a empresa Biometrics disse hoje que nunca deu autorização a Dias Loureiro para este cessar a participação do grupo no negócio.
António Coutinho Rebelo, antigo administrador do Excellence Assets Fund - que deteve 25 por cento da empresa Biometrics de 2001 a 2003 - foi confrontado hoje na Comissão de Inquérito ao BPN com o documento assinado por Dias Loureiro, então administrador da SLN, que cessa a participação do grupo na empresa.
O negócio com a tecnológica porto-riquenha Biometrics saldou-se em prejuízos de pelo menos 38 milhões de dólares, admitiu Dias Loureiro quando foi ouvido em sede da mesma Comissão Parlamentar, tendo sido classificado como "um negócio ruinoso" para a SLN.
No acordo de cessação, datado de 22 de Julho de 2002, o ex-administrador da SLN Dias Loureiro assume a representação de quatro empresas: o fundo Excellence Assets Fund (que na altura detinha 25 por cento da Biometrics), a própria SLN, a Newtech Strategic Holdings e a NovaTech Technology Corporation, igualmente do universo SLN.
No acordo assinado por Dias Loureiro e por um dos sócios porto-riquenhos na Biometrics, Hector Hoyos, está estipulado que o Excellence Assets Fund manteria a sua participação de 25 por cento na Biometrics por mais dois anos.
No entanto, o antigo administrador do Excellence Assets Fund António Coutinho Rebelo disse hoje que Dias Loureiro nunca foi mandatado para representar o fundo e não percebe os termos do acordo.
"Se Dias Loureiro assumiu [a representação do Excellence] não foi porque o conselho de administração do Excellence Assets Fund tenha feito um mandato escrito para que Dias Loureiro assumisse essa representação", disse hoje Coutinho Rebelo.
"Essa iniciativa foi uma autodeterminação de Dias Loureiro", afirmou o antigo administrador, avançando que a relação com os sócios porto-riquenhos era difícil e que só Dias Loureiro conseguiria "uma ligação com eles".
Por outro lado, adiantou Coutinho Rebelo, o próprio Excellence Assets Fund não teria aceite os termos do acordo, que o obrigava a manter participação na Biometrics por mais dois anos.
"O Excellence não se vinculou em momento algum a manter uma participação por qualquer período. Logo à partida parece-me uma coisa estranhíssima e, depois, parece-me um ónus, não fazia sentido o fundo estar manietado e não poder alienar as acções da empresa como bem lhe aprouvesse", disse.
"Até pode ter sido, admito que tenha sido assim", ressalvou Coutinho Rebelo. "Mas, do nosso lado, nunca assinámos nada nem nunca nos vinculámos a imobilizar uma participação de capital durante dois anos".
À margem da Comissão, Coutinho Rebelo avançou à Lusa que a 19 de Março de 2003 o Excellence Assets Fund acabaria por vender os 25 por cento da Biometrics ao BPN Cayman, outro banco off-shore detido pela SLN.
Esta venda, tinha contado anteriormente o administrador aos deputados, foi feita por cerca de 35 milhões de euros, o que até representou ganhos devido às conversões dólares/euros.
No entanto, nas contas do grupo SLN, a venda da Biometrics aparece como tendo sido feita por "um dólar", revelou hoje o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo.
O mesmo deputado recordou também palavras de Dias Loureiro quando foi ouvido na Comissão de Inquérito - à qual será chamado uma segunda vez - e afirmou desconhecer quer o Excellence Assets Fund quer Coutinho Rebelo.
"Nunca ouvi falar do fundo que está a falar", disse na altura Dias Loureiro.