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Diferendos entre accionistas não condicionam gestão

Diferendos entre accionistas não condicionam gestão

Lisboa, 25 Mar (Lusa) - O presidente da administração do Millennium bcp não considera perturbadoras da gestão as opiniões diferentes entre os accionistas do banco e valoriza que estas tenham deixado de ser discutidas nos media.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Numa entrevista à agência Lusa, dias antes da Assembleia Geral (AG) anual, que se realiza na próxima segunda-feira, Carlos Santos Ferreira disse que "em mais de 200 mil accionistas [que o banco tem] é perfeitamente normal haver diferentes opiniões" e sublinha que o acha normal, também, é que "sejam resolvidas nos locais próprios" e não na comunicação social.

Os accionistas têm posições diferentes numa só matéria, "a existência ou não de um Conselho Superior" [órgão de representação dos accionistas estratégicos], referiu o presidente do banco, garantindo que isso não o incomoda "nada" nem considera que prejudique a imagem do banco.

Nas propostas a votar na AG, um grupo de accionistas, onde está a Sonangol [o maior accionista], EDP, empresas de Joe Berardo e Teixeira Duarte, entre outras, defende a extinção do Conselho Superior e com isto a eleição de um novo Conselho Geral e de Supervisão, mais alargado, mas que exclui alguns dos accionistas fundadores conotados com o antigo presidente, Jardim Gonçalves.

Em oposição, o segundo maior accionista, a Eureko, e alguns investidores históricos com participações menores, defendem a continuação do Conselho Superior.

"A anos luz não me atrevo a dizer, mas estamos muito longe de situações passadas" quando, mesmo com as clivagens que havia, e votações a favor que oscilaram entre "cerca de 99,9 por cento e 66 por cento (...) a assembleia geral do ano passado foi visto como um ponto a que os senhores [jornalistas] chamaram de pacificação interna".

Desvalorizando as diferenças e valorizando a forma como estão a ser tratadas, Santos Ferreira diz que "esse tempo da discussão pública dos assuntos deve ter sido emocionante, deve ter feito vender papel, mas passou (...) era excitante se os accionistas continuassem a exprimir as suas opiniões fora dos locais próprios, mas não é o que está a acontecer".

Carlos Santos Ferreira falou da questão mais polémica na agenda dessa reunião, mas também do reposicionamento do banco na área internacional, de como a instituição reforçar o seu capital e das consequências da crise e como esta passou a sujeitar a gestão das empresas, em geral.

Sobre este pouco mais de um ano de gestão à frente do Millennium bcp em plena crise financeira mundial, Santos Ferreira salientou que é preciso "muito maior flexibilidade" a gerir as situações.

"Fomos todos treinados a planear, programar e orçamentar" e agora, mesmo sem abandonar as técnicas tradicionais de gestão esses métodos "todos os dias, semanas, meses, há factos novos com um impacto enormíssimo na realidade" que obrigam a "explicar, mudar, alterar".

ANP/AJG

 

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