Draghi pede aos líderes europeus um plano no sentido de maior integração
Bruxelas, 17 nov (Lusa) - O presidente do Banco central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse hoje no Parlamento Europeu que os líderes europeus têm que trabalhar juntos num plano no sentido de maior integração.
"É importante ter uma construção política e económica que mostre ao resto do mundo que somos capazes de trabalhar juntos para mais integração", disse Mario Draghi, na audição que decorre na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Mario Draghi respondia deste modo a uma pergunta da eurodeputada socialista Elisa Ferreira, que o questionou sobre se a União Europeia não deveria tomar medidas mais fortes para relançar a economia - como um programa forte de investimento acordado entre Comissão Europeia, Conselho e Parlamento Europeu -, no momento em que as taxas de juro do BCE já estão próximas de zero.
Em resposta, Mario Draghi afirmou que "a política monetária já fez muito e pode fazer ainda mais", sobretudo se as reformas estruturais forem executadas. "Mas não pode fazer tudo", avisou.
O presidente do BCE disse que o essencial é que "a confiança regresse ao ambiente económico e à zona euro" e considerou que, para isso, é importante que a Europa mostre ao mundo que é capaz de trabalhar no sentido de maior integração.
"Este é um grande elemento de confiança", afirmou Draghi.
Ainda nesta audição perante o Parlamento Europeu, o responsável italiano disse que se mantém a perspetiva da instituição de uma "recuperação moderada" na zona euro em 2015 e 2016, apesar de a perspetiva económica se ter deteriorado no verão, e realçou a necessidade de uma "política económica comum para que as economias regressem ao bom caminho".
Para o presidente do BCE, é necessário "compromissos a curto prazo de medidas concretas, pôr em prática o pacto de estabilidade e lançar uma estratégia de investimento".
Draghi garantiu ainda que está confiante de que as medidas até agora tomadas pelo BCE serão suficientes, mas voltou a reafirmar que, se não o forem e se as perspetivas de inflação piorarem, "o Conselho [de Governadores], como já disse muitas vezes, pode tomar medidas não convencionais adicionais".
A taxa de juro diretora está no mínimo histórico de 0,05% desde 04 de setembro, quando além de descer a taxa, o BCE anunciou que iria lançar um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito e dinamizar a economia da zona euro.
Fala-se ainda que a entidade monetária se prepara para comprar dívida soberana em grandes quantidades.
Draghi negou hoje as críticas de que uma compra massiva de ativos leve os Estados a descurarem nas reformas levadas a cabo.
A inflação na zona euro fixou-se em 0,4% em outubro, ligeiramente acima dos 0,3% de setembro, quando atingiu o nível mais baixo em cinco anos.
O BCE tem como mandato principal manter a inflação próxima mas abaixo de 2%.