É preciso tratar o ambiente de informação como uma emergência defende Melissa Fleming
A subsecretária-geral das Nações Unidas para as Comunicações Globais defende, em entrevista à Lusa, que é preciso tratar o ambiente de informação como uma emergência, numa altura em que se assiste a uma crise das democracias.
Melissa Fleming é uma das oradoras do TEDxPorto 2026 - (In)visível, que se realiza no sábado na Alfândega do Porto.
"Estamos a ver mais países autocráticos no mundo. O número de países autocráticos está a tornar-se dominante" e "isso significa que também é possível estabelecer correlações entre o nosso ambiente de informação e a ascensão da autocracia", refere a responsável, quando questionada sobre o tema.
Numa democracia, prossegue, "existe um ambiente de informação livre, onde existe uma comunicação social robusta capaz de exigir responsabilidades aos líderes e onde as pessoas têm liberdade de expressão e não são presas pelo que dizem".
Portanto, "vemos claramente que estamos perante uma crise das democracias", aponta Melissa Fleming.
Por isso, "precisamos de tratar o nosso ambiente de informação como uma emergência", reforça a subsecretária-geral das Nações Unidas para as Comunicações Globais.
Melissa Fleming argumenta que, "sem um ecossistema de informação saudável, não é possível ter uma sociedade saudável".
Até porque "as pessoas precisam de factos e de ciência para tomarem as decisões mais importantes das suas vidas", sublinha.
E precisam "de confiar nas instituições e nas pessoas que as lideram para terem uma sociedade harmoniosa e democrática", prossegue a responsável.
Portanto, "creio que ainda não o fizemos, temos olhado para outros elementos sobre os quais precisamos de trabalhar".
Melissa Fleming exemplifica com os Objetivos Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pelas Nações Unidas como parte da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.
"Temos 17 objetivos", aponta a responsável.
Agora, "se eu pudesse criar um 18.º objetivo, seria o de ecossistemas de informação saudáveis", enfatiza.
A razão para a inclusão de um novo ODS é simples: "sem um ecossistema de informação saudável, nada mais pode funcionar bem", remata Melissa Fleming.
Antes do atual cargo, a responsável liderou a comunicação global do ACNUR, a Agência da ONU para os Refugiados. Passou também pela Agência Internacional de Energia Atómica, pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e pela Radio Free Europe/Radio Liberty.