EDP anuncia reposição de energia a 100% dos clientes afetados por tempestades
A EDP, grupo que integra a E-Redes, responsável pela operação da rede de distribuição em Portugal continental, já restabeleceu a energia a 100% dos clientes afetados pelas tempestades, anunciou esta quinta-feira o presidente executivo. A empresa estima em 80 milhões de euros os impactos associados às tempestades.
"Já recuperámos 100% dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou", afirmou Miguel Stilwell d`Andrade, na conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025.
O gestor recordou que Portugal foi atingido por "uma série de tempestades devastadoras", que começaram no final de janeiro e se prolongaram até fevereiro e registaram ventos superiores a 200 quilómetros por hora, que causaram "danos físicos sem precedentes nas infraestruturas do país", incluindo nas redes elétricas e em ativos da empresa.
A E-REDES revelou à RTP que a recuperação do fornecimento de energia no decurso da Depressão Kristin "está praticamente concluída, persistindo apenas alguns casos mais pontuais, que continuam a ser resolvidos" e avança que é preciso agora consolidar o trabalho, passando de "reparações mais provisórias a definitivas”.
A tempestade afetou cerca de 6.000 quilómetros de rede elétrica e danificou aproximadamente 5.800 torres. Foram mobilizadas cerca de 2.400 pessoas no terreno, incluindo equipas vindas de Espanha, Brasil, França e Irlanda.
Miguel Stilwell d'Andrade destacou que a prioridade foi "restabelecer a energia da forma mais rápida, mais segura e mais eficaz possível", agradecendo às equipas que estiveram no terreno.
80 milhões de euros de impacto
A empresa estima em cerca de 80 milhões de euros os impactos associados às tempestades, incluindo danos nas redes e em ativos de geração, bem como custos operacionais.
O impacto adicional das tempestades continua a ser avaliado e será atualizado no primeiro trimestre, defendendo que estes episódios evidenciam "a crescente vulnerabilidade" associada às alterações climáticas e reforçam a necessidade de sistemas mais resilientes.
Máximos histórios nas barragens
No segmento hídrico, destacou que, devido à forte pluviosidade, os níveis das albufeiras atingiram máximos históricos. Situam-se em cerca de 96%, face a 76% em janeiro. O índice de produção hidroelétrica em Portugal duplicou a média histórica até à data, adiantou.
Estas condições meteorológicas extremas tiveram também impacto no mercado, com "preços anormalmente baixos" no mercado grossista ('pool'), que passaram de cerca de 71 euros por megawatt/hora em janeiro para aproximadamente 8 euros por megawatt/hora até meados de fevereiro.
O responsável revelou ainda ter sido usado um modelo hidrológico avançado para antecipar descargas e coordená-las com as autoridades ambientais para o controlo das cheias.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, foram as principais consequências materiais do temporal.
c/Lusa