Emissão de dívida em yuan fora da China atinge máximos com procura de investidores

Emissão de dívida em yuan fora da China atinge máximos com procura de investidores

Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por ativos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times.

Lusa /
Thomas White - Reuters

O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como "dim sum bonds", que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan (37,5 mil milhões de euros) em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico.

Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, refletindo um alargamento do leque de mutuários.

A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan (5,9 mil milhões de euros), também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante.

"Há muita procura por ativos `offshore` em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atrativa", afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão).

Analistas descrevem o fenómeno como uma "corrida ao financiamento" em yuan `offshore`, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais.

O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan (quatro mil milhões de euros) este ano, cerca de 10% do total.

A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong.

Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para ativos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa -- cerca de 1,75% nas obrigações soberanas a 10 anos.

Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente.

"A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas", afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis.

O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.

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