Empresa de flores de Pombal opera a 70% depois de prejuízos de um milhão de euros
Uma empresa de distribuição de flores do concelho de Pombal encontra-se a operar a apenas 70% da sua capacidade, depois de ter sofrido danos na ordem de um milhão de euros (ME) com a passagem da tempestade Kristin.
"Dois meses depois, estamos a operar a apenas 70% da nossa capacidade. Mas, para isso, tive de me chegar à frente e assumir os gastos para ter os serviços mínimos a funcionar", destacou o gerente da Flormania, David Canaria.
Em declarações à agência Lusa, o responsável desta empresa de Meirinhas explicou que o mau tempo causou grandes danos no edifício, ao nível da cobertura e da estrutura lateral, para além de ter destruído os painéis fotovoltaicos.
"Entre o edifício, o recheio e o equipamento, estamos a falar de um prejuízo de cerca de um milhão de euros. É muita coisa", lamentou.
À agência Lusa, contou que três dias depois da passagem da tempestade Kristin contactou uma empresa de Braga para, "ao menos, fechar o edifício, na cobertura e parte lateral".
"Consegui desencantar essa empresa do Norte, porque as do Centro já tinham trabalho para dois ou três meses. E passados 15 dias já tinha o edifício fechado, tendo para isso suportado os custos, sem acertos de seguros", referiu.
David Canaria esclareceu que decidiu avançar e colocar "pelo menos os serviços mínimos a funcionar" antes das peritagens da companhia de seguros, para evitar que os prejuízos fossem ainda maiores.
"Agora temos cobertura, eletricidade a funcionar, mas falta tudo o resto: pisos, escritório, casas de banho. Estamos a trabalhar como se fosse numa tenda improvisada e, em vez de cinco computadores, estamos a trabalhar num, praticamente à moda antiga, como se fazia há 20 anos", descreveu.
Sem os painéis fotovoltaicos, a conta da luz subiu exponencialmente, passando de cerca de 300 euros para 2.000 a 2.500 euros por mês, sendo a situação agravada pela demora nos processos de seguro.
"Dois meses depois, ainda aguardamos a conclusão das peritagens e vai demorar, porque não é um processo que eles simplificam", afirmou, acrescentando que os prejuízos decorrentes da quebra de atividade não deverão ser cobertos.
De acordo com o responsável da empresa, também o acesso aos apoios públicos disponibilizado tem levantado "muitas dificuldades".
"Para avançar tem de haver um parecer técnico da parte da CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro] a comprovar que há realmente estragos e que remete para as seguradoras comprovarem que há estragos, mas as seguradoras enrolam. Só depois da peritagem terminada é que fazem o relatório dos estragos", criticou.
David Canaria alertou que o que está a acontecer é que as empresas "estão a reconstruir tudo por sua conta e risco" e só depois é que podem recorrer às seguradoras, "o que não faz sentido".
A Flormania, atualmente com 22 funcionários, é uma empresa que se dedica à comercialização de flor de corte e acessórios para floristas, tendo como principal mercado o retalhista.
Nasceu em 2004 em Vieira de Leiria, tendo em 2015 mudado as suas instalações para Meirinhas, concelho de Pombal, distrito de Leiria.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.