Empresa pública Florestgal está há mais de um ano sem presidente
A empresa pública de gestão florestal Florestgal está há mais de um ano sem presidente e com restante conselho de administração em gestão há mais de dois anos.
A empresa, sediada em Figueiró dos Vinhos e criada após os incêndios de 2017, está há mais de um ano sem presidente, depois de José de Jesus Gaspar ter apresentado a demissão em janeiro de 2025.
O restante conselho de administração - as vogais Cândida Pestana e Maria Azevedo e Silva - mantêm-se em funções, apesar de o seu mandato ter terminado em 2023, estando a empresa em gestão desde então.
Questionado pela agência Lusa, o Ministério da Agricultura e a Secretaria de Estado das Florestas não deram qualquer resposta nem explicação sobre o porquê da demora na indicação de um novo conselho de administração.De acordo com o relatório de atividades daquela empresa relativo ao primeiro trimestre de 2025, José de Jesus Gaspar apresentou a renúncia ao cargo em janeiro desse ano, tornando-se a demissão efetiva em 28 de fevereiro do mesmo ano.
José de Jesus Gaspar tinha assumido as rédeas daquela empresa que detém milhares de hectares de floresta no território nacional em junho de 2023, tendo sido, na altura, o terceiro presidente da Florestgal no espaço de cinco anos.
No plano de atividades para o triénio 2025/2027, publicado em dezembro de 2024, a Florestgal dava nota de que o conselho de administração estava em gestão desde dezembro de 2023, "não tendo sido celebrados os contratos de gestão para o triénio em análise".
"Nem existem contrato-programa ou contratos de prestação de serviço público que contenham orientações específicas sobre a estratégia e/ou objetivos a alcançar".O plano foi publicado um mês antes de José de Jesus Gaspar renunciar ao cargo.
Anteriormente, a Florestgal foi presidida pelo engenheiro florestal Rui Gonçalves, que foi demitido em outubro de 2022, pouco mais de um ano depois de assumir o cargo, após a publicação de um artigo de opinião no jornal Público, no final de setembro, em que tecia várias críticas ao sistema de combate, apontando para a "inutilidade" que a prevenção estrutural assumiu no combate às chamas no incêndio da Serra da Estrela, assim como para problemas de descoordenação do combate ao incêndio, com "demasiados agentes" no terreno.
O primeiro líder daquela empresa pública foi o antigo deputado socialista José Miguel Medeiros, que esteve à frente da empresa até 2021, quando João Matos Fernandes, então ministro do Ambiente, optou por não o reconduzir no cargo.
A Florestgal, com sede em Figueiró dos Vinhos, foi criada após os grandes incêndios de 2017, a partir de uma empresa já existente, a Lazer e Floresta, "herdando" os seus ativos.
De acordo com o seu site, a empresa tem cerca de 15,6 mil hectares distribuídos por 86 propriedades em 26 concelhos de Portugal Continental, a que acrescem cerca de 6,9 mil hectares em áreas integradas de gestão da paisagem, que estão à sua responsabilidade.