Empresas de bebidas angolanas prontas para absorver procura com imposição de quotas
Luanda, 29 jan (Lusa) - As maiores empresas angolanas de bebidas dizem-se prontas para responder aos efeitos da imposição de quotas à importação, já que a capacidade nacional de produção é 70% superior ao consumo anual, de 26,7 milhões de hectolitros.
Os números foram revelados hoje durante a cerimónia de posse dos corpos dirigentes da agora criada Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA), precisamente na semana em que foi divulgada a imposição de quotas para a importação de vários produtos, nomeadamente cervejas, sumos e águas.
A medida deverá reduzir já a partir de 2015 as importações de bebidas por Angola para uma quota de 950 mil hectolitros (bebidas), volume que anualmente se cifra em cerca de 400 milhões de dólares (353 milhões de euros). Mais de metade deste valor é proveniente de exportações de empresas portuguesas, nomeadamente cerveja, que já admitiram apreensão com o atual cenário.
À margem do evento, questionado pela Lusa, o administrador delegado em Angola do Grupo Castel, que produz a tradicional cerveja angolana Cuca, Philippe Frederic, garantiu que tudo está pronto para responder ao previsível aumento da procura.
Só a Cuca, explicou, já produz anualmente nove milhões de hectolitros de cerveja, estando pronta para aumentar essa produção em mais de 1,5 milhões de hectolitros.
"Nós temos três fábricas que estão a produzir a metade das suas capacidades, estamos a continuar a investir. Temos três linhas novas previstas para este ano. Estamos com capacidade para superar uma grande parte [da procura] do mercado", enfatizou.
Embora assumindo que o grupo não é contra a importação, Philippe Frederic sustenta que as empresas que investiram na produção em Angola também devem ver os seus interesses acautelados.
"É uma competição saudável. Quem quer vender em Angola tem que estar instalado aqui", afirmou.
Também o administrador da Refriango, uma das empresas de referência em Angola, com cerca de 4.500 trabalhadores na área dos refrigerantes, afirmou à Lusa que o grupo está pronto para dar resposta às necessidades decorrentes da imposição de quotas à importação de bebidas.
Os refrigerantes Blue são uma das 15 marcas da Refriango que, segundo Estevão Daniel, está a funcionar a pouco mais de 50% da sua capacidade de produção instalada, inclusive com "máquinas paradas".
"Bem-vindas as quotas porque vai facilitar um bocado a aflição que até hoje tivemos para ver as nossas linhas a funcionarem. Depois do abastecimento total a Angola, poderemos pensar numa oportunidade para exportar", vaticinou o empresário angolano.
Estas duas marcas históricas em Angola integram o grupo de 12 indústrias nacionais fundadoras da AIBA, associação lançada hoje com o propósito de captar investimento, garantir o aproveitamento da produção nacional e fomentar as exportações de bebidas.
O governo angolano aprovou para este ano um sistema de quotas à importação de vários produtos, nomeadamente alimentares.
Em termos de refrigerantes e bebidas foi fixada uma quota geral de importação de 950 mil hectolitros, distribuídos por águas (150.000 hectolitros), refrigerantes (200.000), cervejas (400.000) e sumos (200.000).
De acordo com dados de um estudo encomendado pelo AIBA, hoje revelados, em termos de cerveja, refrigerantes, águas, sumos e néctares a capacidade de produção instalada em Angola cifra-se em 45,8 milhões de hectolitros, superior em 70% à procura.
O estudo refere que o país pode eliminar os cinco milhões de hectolitros de bebidas importadas por ano, tendo em conta que de facto apenas produz, nas fábricas nacionais, 21,7 milhões de hectolitros, sendo uma pequena parte para exportação.
De acordo com a AIBA, o setor emprega em Angola, de forma direta, cerca de 14.000 trabalhadores.