Euronext Lisboa completa um ano de migração com ganhos em toda a linha
Um ano após a migração para a Euronext, a bolsa portuguesa tem mais membros e empresas cotadas, maior liquidez e novos produtos e, embora nem tudo possa ser directamente associado a esse facto, o balanço é considerado positivo.
"O balanço deste primeiro ano é positivo", afirmou à agência Lusa fonte oficial da Euronext Lisboa.
A bolsa "acredita que os participantes do mercado se adaptaram à nova realidade e estão a usufruir dos benefícios de pertencerem a uma plataforma pan-europeia", acrescenta.
Desde que o mercado português passou a estar integrado no grupo Euronext - que detém ainda as bolsas de Amesterdão, Bruxelas, Paris e o mercado de derivados de Londres (Euronext.Liffe) - as empresas cotadas passaram a estar mais expostas no cenário internacional, onde a visibilidade e o número de potenciais investidores são maiores.
O número de intermediários financeiros portugueses e estrangeiros, ligados directamente a Lisboa, acompanhou a nova realidade do mercado e passou de 26 para 40 no espaço de um ano.
Ao nível do preçário foi introduzido um modelo diferente - antes baseava-se no valor negociado (aplicando-se sobre este uma permilagem), sendo agora cobrado por cada negócio - o que levou a uma redução no preço médio por negócio, segundo mostram dados da bolsa portuguesa.
Mais recentemente, a Euronext alargou ainda a oferta de produtos - passando a negociar warrants autónomos estruturados e +stop loss warrants+ - lançou um novo mercado não-regulamentado para produtos estruturados e introduziu a figura do +liquidity provider+ para potenciar a criação de liquidez nos títulos cotadas.
Como factores de destaque devem referir-se ainda a admissão de duas novas empresas, a Media Capital e a espanhola Sacyr Vallehermoso, que adquiriu a Somague.
Resultado das alterações pós-migração - e embora não seja viável associar o desempenho do mercado português somente à migração, como refere aliás a Euronext - é a valorização do principal índice, o PSI 20, e das empresas cotadas, juntamente com os ganhos de liquidez.
Desde a integração no novo sistema de negociação, o PSI 20 subiu 16 por cento (até fecho da sessão de dia 29 de Outubro), e todas as empresas cotadas apresentam evoluções positivas, concretamente entre os 7,44 e os 65,22 por cento.
A volátil ParaRede foi quem mais ganhou durante o primeiro ano de migração, seguindo-se a Sonaecom (+61,17 por cento), Gescartão (+60,67), Sonae SGPS (+57,38), Cofina (+56,91) e Teixeira Duarte (+50,67).
As restantes subidas são abaixo de 50 por cento.
A empresa que menos valorizou foi a Cimpor.
Em termos de acções negociadas, durante o período de migração (entre 7 de Novembro de 2003 e final de Outubro de 2004) foram transaccionados mais 91.309.893 papéis, o que representa um crescimento de 28,3 por cento face ao período homólogo.
O volume de negócios teve um crescimento idêntico, de 29,4 por cento (ou 275.272.910,55 euros) tendo passado de um total acumulado de 937.651.591,15 para 1.212.924.501,70 euros.
Em sentido contrário evoluiu o número de negócios, que decresceu 16,5 por cento, dado que, segundo a Euronext, prova "a rápida e eficaz adaptação dos membros portugueses tiveram ao novo modelo" de preçário, já mencionado anteriormente.
Em género de balanço global, a Euronext Lisboa considera que "os objectivos propostos para este primeiro ano foram plenamente cumpridos".
Para 2005, os planos passam pela anunciada "implementação da reestruturação dos mercados, aposta na formação dos intervenientes do mercado, alargamento da base de oferta /produtos, aproximação objectiva e clara às empresas e membro (clientes) e em continuar a responder às expectativas do mercado".
MRE.
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