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Ex-diretor do Goldman Sachs enfrenta justiça

Ex-diretor do Goldman Sachs enfrenta justiça

O ex-diretor do Goldman Sachs deverá apresentar-se às autoridades norte-americanas para conhecer a acusação num caso de informação privilegiada que já resultou na condenação de um tubarão das finanças. Rajat Gupta, que construiu uma carreira ao longo de três décadas na consultora Mckinsey - integra ainda a administração de dezenas de multinacionais - e desempenhou funções na fundação Gates e de consultor do ex-chefe das Nações Unidas Kofi Annan, é a primeira pessoa visada numa acusação do género sem que seja ele próprio um corretor.

RTP /
Com a reputação chamuscada pelo processo Galleon, Gupta demitiu-se dos cargos que ocupava em multinacionais DR

Uma das caracyerísticas do processo assenta nesse facto de Rajat Gupta estar acusado pela SEC (organismo que regula os mercados nos EUA) de informação privilegiada de mercado - acusações que ocorrem relativamente à relação “investidor-corretor” – sem que ele seja no caso nem uma coisa nem outra.

O caso remonta ao pico da crise financeira, em 2008, quando o tycoon Raj Rajaratnam terá feito uso de uma dica de Rajat Gupta para realizar movimentações do Galleon, o seu grupo de investimento. Rajaratnan, que mantém uma relação de amizade e negócios de anos com Gupta, foi acusado juntamente com outros membros do Galleon, de vários crimes de fraude e informação privilegiada. Em maio, um tribunal de Nova Iorque condenou-o a 11 anos de prisão.

Durante o julgamento foram apresentadas gravações de telefonemas entre Rajaratnan e Gupta – e ainda um amigo e associado comum em vários projetos: Anil Kumar - que estão a levantar suspeitas de envolvimento do ex-diretor do banco Goldman Sachs em práticas consideradas ilícitas nos mercados financeiros.

A acusação insistiu numa gravação de julho de 2008, quando, após uma reunião do conselho de administração da Goldman Sachs, Gupta telefonou ao amigo Rajaratnan. Revela um artigo de abril passado do “The New York Times” que (de acordo com o processo), “na manhã seguinte, o fundo da Galleon livrou-se das ações que tinha na Goldman, escapando a perdas de mais de três milhões de dólares”.

Ao depor no julgamento do criador do fundo Galleon, Lloyd Blankfein, diretor executivo do Goldman, acusou Gupta de ter violado a confidencialidade do banco, ao deixar escapar para o exterior segredos que deveriam ter ficado nas reuniões da direção.

Debaixo de olho das autoridades federais desde abril de 2010, como assegura o “Wall Street Journal”, Gupta acabaria em março deste ano por ser acusado do crime de informação privilegiada fornecida precisamente a Rajaratnan e possivelmente também Anil Kumar, com quem fundou a Indian School of Business. Gupta contra-atacou com um processo contra a SEC e em agosto um acordo entre ambas as partes deixava cair as acusações civis contra o financeiro.

O processo, muito comentado ao longo dos últimos meses, tem merecido uma especial atenção nos Estados Unidos, com a divisão das opiniões dos especialistas. Impossível de contornar, uma vez que existem as provas disso, a conversa entre Gupta e Rajaratnan é por vezes classificada como uma conversa entre amigos, podendo ser considerado como um momento de desabafo ou, simplesmente, uma troca de palavras entre pessoas que se conhecem há muito e onde, havendo confiança mútua, é pedido um conselho.

Um outro fator joga grandemente a favor de Rajat Gupta: as autoridades não conseguiram estabelecer um ganho concreto do negócio em seu favor. Com atenuantes ou sem elas, Gupta acaba por ser inevitavelmente apanhado nesta teia, culminando hoje com a sua apresentação perante o FBI para enfrentar uma acusação criminal.

Anteriormente, já a onda de choque havia tido as suas consequências. Com a reputação chamuscada pelo processo que levará o amigo e parceiro em vários projetos à prisão, Gupta demitiu-se de grande parte - ou não se recandidatou - dos cargos que ocupava em multinacionais (Goldman Sachs, Procter and Gamble, AMR and its subsidiary, por ex.) ou fundações dedicadas à filantropia (Fundo para o Combate à SIDA, Tuberculose e malária, Fundação Bill e Melinda Gates).

Escusando-se a declarações à comunicação social, o seu advogado, Gary Naftalis, remeteu aos jornalistas aquilo que já antes havia sido sustentado: “Qualquer acusação de má conduta de Rajat Gupta não tem fundamento. Os factos demonstram que é inocente e que sempre agiu com honestidade e integridade. Ele não negociou e não deu a Rajaratnan qualquer dica para que negociasse, e não teve qualquer provento disso”.
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