"Existe capacidade para duplicar ou triplicar frota a GPL em Portugal" -- Ramon Serrano

"Existe capacidade para duplicar ou triplicar frota a GPL em Portugal" -- Ramon Serrano

Lisboa, 10 abr (Lusa) -- O mercado de GPL Auto tem grande margem de crescimento em Portugal como combustível alternativo ao gasóleo e à gasolina, defendeu hoje o presidente executivo da Associação Europeia de GPL, Ramon Serrano.

Lusa /

"Existe capacidade para duplicar ou triplicar a frota automóvel movida a GPL", que atualmente é de cerca de 40.000 viaturas, o que representa menos de um por cento do parque automóvel português, afirmou hoje Ramon Serrano, em Lisboa, num encontro com a imprensa.

Segundo o responsável, o maior obstáculo à adesão ao gás de petróleo liquefeito (GPL) é a proibição do estacionamento em parques de estacionamento subterrâneos, o que, defendeu, "hoje não tem qualquer razão para existir".

"É muito importante que se acabe com essa proibição que não tem qualquer razão para existir", disse, rejeitando que os veículos movidos a gás sejam menos seguros do que os automóveis a gasóleo ou a gasolina, referindo que esta restrição apenas vigora em Portugal, na Hungria e na Bulgária.

Com a escalada do preço dos combustíveis, o GPL tem vindo a ganhar adeptos em vários países da Europa, onde há cerca de sete milhões de automóveis a GPL, o que representa cerca de três por cento da frota automóvel, com a Polónia, Itália e Holanda na liderança.

"Em todos os países está a aumentar a procura por uma questão de poupança, o que tem vantagens ambientais por ser menos poluente", declarou.

De acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), em Portugal, o consumo de GPL Auto aumentou em dezembro 2,1 por cento face ao período homólogo, em contra ciclo com o da gasolina e do gasóleo, cujo consumo caiu 6,6 por cento no mesmo período.

Segundo dados da DGEG, o preço médio da gasolina 95 octanas foi de 1,546 euros/litro e o do gasóleo 1,372 euros/litro em 2011, quando o GPL custou em média 0,769 euros/litro.

No encontro com jornalistas, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), António Comprido, explicou que este aumento do consumo de GPL Auto é resultado do aumento da oferta de veículos novos, sobretudo pequenos utilitários adaptados para dois tipos de combustíveis (gasolina e GPL Auto).

Para o responsável, "é natural que as pessoas optem cada vez mais por esse combustível que, por via de ter um ISP [Imposto sobre produtos petrolíferos] mais baixo, é mais económico do que a gasolina e o gasóleo".

António Comprido adiantou que estão em curso iniciativas para acabar com a proibição ao estacionamento em parques subterrâneos, que considerou um "anátema" para o GPL, referindo um projeto-lei socialista apresentado em fevereiro na Assembleia da República.

"Também temos indicação que o Ministério da Economia está a tratar do assunto, sendo necessário alterar vários diplomas", acrescentou.

Segundo o secretário-geral da APETRO, "ultrapassadas as restrições existentes, seria bom, no prazo de dois ou três anos, aumentar a frota a GPL para 250.000 viaturas, mas ainda há potencial para mais".

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