Fábrica transformadora de porco preto quer exportar para Brasil e Angola
Ourique, Beja, 12 Fev (Lusa) - Uma fábrica de transformação artesanal de porco alentejano em Ourique (Beja) pretende começar este ano a exportar para o Brasil e Angola, depois de um volume de negócios de 600 mil euros no primeiro ano de actividade.
"Já comercializamos produtos de porco de raça alentejana para o mercado nacional e para países europeus. Estamos, agora, a ter muito interesse por parte do Brasil e Angola, para onde queremos começar a exportar", disse hoje à agência Lusa Manuel Falcão, administrador da empresa.
A Montaraz de Garvão, no concelho de Ourique, começou a funcionar em Janeiro de 2007, fruto do investimento de dois milhões de euros de um grupo de dez sócios, criando duas dezenas de postos de trabalho.
No primeiro ano de actividade, em que o volume de negócios atingiu os 600 mil euros, a fábrica comercializou "carne fresca e enchidos", sendo que, no mercado nacional, os produtos chegaram às grandes superfícies, às lojas gourmet e ao sector da restauração.
"A grande parte foi distribuída na zona de Lisboa e no Sul do país, se bem que, no Norte, esteja a crescer a procura de produtos de porco preto", referiu.
Na tarde de hoje, a Montaraz de Garvão assinalou o início da comercialização dos seus produtos mais nobres, o presunto e as paletas (mãos do porco), que tiveram que ter, primeiro, um período de cura natural de um ano.
"O volume de negócios, agora, vai crescer muito e os presuntos e as paletas são certificados com a Indicação Geográfica Santana da Serra", afiançou.
A empresa já tem "cerca de dois mil presuntos e outras duas mil paletas preparadas para comercializar", que, primeiro, vai ser dirigida para o mercado nacional, embora as exportações também estejam no horizonte.
"O presunto tem muito consumo no mercado nacional, mas já vai sendo conhecido no exterior e pensamos também atacar a exportação", vaticinou Manuel Falcão.
O "segredo" da produção da Montaraz de Garvão, a terceira unidade transformadora de porco de raça alentejana no Baixo Alentejo - as outras duas são em Barrancos -, prende-se com a "qualidade da matéria-prima".
"Os porcos pretos que utilizamos podem vir de todo o Alentejo, mas apenas das zonas onde existem montados de sobro e azinho e sempre de raça alentejana, alimentados a bolotas", garantiu.
Contactado pela Lusa, o presidente do município de Ourique, Pedro do Carmo, congratulou-se pelo "sucesso" da fábrica, frisando que a criação de 20 postos de trabalho foi "significativa".
"É em Ourique que está sedeada a Associação de Criadores de Porco Alentejano e, com esta fábrica, a vantagem é que a mais-valia deste sector, que é a transformação, fica toda no concelho", sublinhou.
Apesar da zona de Barrancos ser a mais identificada, a nível nacional, com os produtos de porco preto alentejano, é no concelho de Ourique que estão a maior parte (50) das 170 explorações existentes no Baixo Alentejo.
RRL.
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