Fabricante chinês de robôs Unitree capta investidores antes da entrada em bolsa

Fabricante chinês de robôs Unitree capta investidores antes da entrada em bolsa

O fabricante chinês de robôs Unitree iniciou esta semana a captação de investidores antes da aguardada entrada em bolsa em Xangai, uma operação que poderá avaliar a empresa em 6,2 mil milhões de dólares (5,3 mil milhões de euros).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: AFP

A tecnológica abrirá na próxima segunda-feira o período de subscrição das ações, colocando à venda até 40,45 milhões de novos títulos, equivalentes a 10% do capital social, numa operação que deverá arrecadar cerca de 4,2 mil milhões de yuan (cerca de 500 milhões de euros), segundo a documentação apresentada à Bolsa de Xangai.

Estes valores implicam uma capitalização bolsista de cerca de 42 mil milhões de yuan (5 mil milhões de euros), embora fontes citadas pelo portal económico Caixin estimem que a avaliação possa ascender a 55 mil milhões de yuan (6,6 mil milhões de euros), tendo em conta algumas das propostas apresentadas por investidores.

Outras estimativas são ainda mais otimistas. Segundo o jornal oficial Global Times, o banco estatal China Construction Bank considera que a Unitree poderá atingir uma valorização entre 60 mil milhões e 100 mil milhões de yuan (entre 7,2 mil milhões e 12 mil milhões de euros) e, no cenário mais favorável, alcançar 109 mil milhões de yuan (13,1 mil milhões de euros).

A empresa indicou que quase metade do montante angariado será destinado à investigação e desenvolvimento (I&D) de modelos inteligentes para robôs, além de investimentos em corpos robóticos, novos produtos e na construção de um centro inteligente de fabrico.

Fundada em 2016 e sediada na cidade de Hangzhou, no leste da China, a Unitree desenvolve robôs quadrúpedes e humanoides. A empresa é atualmente a maior vendedora mundial de robôs humanoides, que já representam mais de metade das suas receitas, e produz também componentes como mãos robóticas, braços colaborativos e sensores.

A tecnológica ganhou notoriedade dentro e fora da China pelas demonstrações públicas dos seus robôs humanoides, incluindo participações na tradicional gala televisiva do Ano Novo Lunar da estação estatal CCTV.

Segundo o Global Times, cerca de 90% da cadeia de abastecimento da empresa é composta por fornecedores nacionais e todos os componentes considerados essenciais são desenvolvidos internamente, um fator apresentado pelo jornal como reflexo da capacidade tecnológica da indústria chinesa.

A entrada em bolsa culmina um processo iniciado em março, quando a empresa apresentou o pedido para cotar no mercado STAR da Bolsa de Xangai, frequentemente apelidado de "Nasdaq chinês".

A operação ocorre num momento de forte interesse dos investidores pela robótica humanoide na China, um setor considerado estratégico pelas autoridades chinesas no âmbito da aposta em tecnologias avançadas e na integração da inteligência artificial na indústria.

 

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