Fabricante chinesa de chips fotónicos estreia-se em Hong Kong com subida de 380%

Fabricante chinesa de chips fotónicos estreia-se em Hong Kong com subida de 380%

A fabricante chinesa de `chips` fotónicos Lightelligence estreou-se hoje na Bolsa de Valores de Hong Kong com uma valorização de cerca de 380% na abertura, impulsionada pelo forte interesse dos investidores no setor da inteligência artificial (IA).

Lusa /
Foto: Reuters

As ações abriram a 880 dólares de Hong Kong (95,9 euros), face aos 183,2 dólares de Hong Kong (20 euros) definidos na oferta pública inicial, tendo o ganho moderado para cerca de 362% por volta das 10:30 locais.

A empresa, também conhecida como Shanghai Xizhi Technology, vendeu 13,8 milhões de ações, arrecadando cerca de 2.527 milhões de dólares de Hong Kong (275 milhões de euros), tornando-se a primeira fabricante chinesa de `chips` baseados em luz (fotões) a cotar-se na praça financeira da antiga colónia britânica.

A forte procura superou a oferta, com a parte destinada a investidores de retalho a atrair uma procura 5.785 vezes superior à oferta disponível.

Fundada em 2017 por Shen Yichen, formado no Massachusetts Institute of Technology, a Lightelligence afirma ter sido pioneira na implementação em larga escala de unidades de computação híbridas que combinam ótica e eletrónica.

Ao contrário das unidades de processamento gráfico (GPU) tradicionais, que utilizam eletrões em circuitos de silício, os `chips` fotónicos recorrem a fotões -- ou luz -- para processar e transmitir dados.

Segundo a imprensa local, este tipo de tecnologia, inicialmente utilizada em investigação científica, está agora a ganhar relevância comercial com o crescimento da IA.

O negócio da empresa divide-se entre computação ótica, que procura reduzir limitações de latência e consumo energético em centros de dados, e interconexão ótica, que permite transferências de dados de alta velocidade entre `chips` e sistemas.

A Lightelligence prevê aplicar cerca de 70% dos fundos captados em investigação e desenvolvimento nestas áreas.

Apesar do crescimento de 76% nas vendas, a empresa registou prejuízos de cerca de 1.300 milhões de yuan (163 milhões de euros) em 2025, refletindo o elevado investimento em inovação.

Segundo a consultora Frost & Sullivan, os `chips` fotónicos deverão aumentar a sua quota no mercado chinês de semicondutores para inferência em IA de 0,5% em 2025 para cerca de 20% em 2040.

A entrada em bolsa da Lightelligence insere-se numa vaga recente de ofertas públicas iniciais de empresas tecnológicas ligadas à IA na China, num contexto em que Pequim tem reforçado o apoio ao setor, considerado estratégico para alcançar a autossuficiência tecnológica no âmbito do plano quinquenal 2026-2030, em plena rivalidade comercial com os Estados Unidos.

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