Fabricante de chips CXMT prepara segundo maior IPO da história da China
A ChangXin Memory Technologies (CXMT), maior fabricante chinês de chips de memória, iniciou hoje a subscrição de ações para uma entrada em bolsa que poderá tornar-se a segunda maior oferta pública inicial da história da China.
A empresa colocou à venda 6,688 mil milhões de ações a um preço unitário de 8,66 yuan (1,12 euros), reservando-se o direito de aumentar a oferta para 7,691 mil milhões de títulos. Nesse cenário, a operação ascenderá a cerca de 66,6 mil milhões de yuan (8,58 mil milhões de euros).
Segundo a agência Bloomberg, esse valor faria da operação a segunda maior IPO de sempre nos mercados da China continental, apenas atrás da entrada em bolsa do Banco Agrícola da China (ABC), em 2010, avaliada em 10 mil milhões de dólares (8,7 mil milhões de euros).
Seria também a maior operação do género na Ásia desde 2022, quando a sul-coreana LG Energy Solution angariou cerca de 10,8 mil milhões de dólares (9,4 mil milhões de euros) em Seul.
Analistas citados pela Bloomberg estimam que a CXMT, que ainda não anunciou a data exata da estreia em bolsa, passe de imediato a integrar o grupo das maiores empresas cotadas da China, com uma capitalização bolsista que poderá atingir cerca de 2 biliões de yuan (257,8 mil milhões de euros).
A empresa foi fundada em 2016 na cidade de Hefei, no leste da China, por Zhu Yiming, fundador da fabricante de semicondutores GigaDevice, com o objetivo de desenvolver e produzir internamente chips de memória, atividade que iniciou em 2019.
Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, o montante que a empresa espera captar supera amplamente os 29,5 mil milhões de yuan (3,8 mil milhões de euros) inicialmente previstos para financiar projetos de investimento.
A CXMT pretende utilizar os recursos obtidos para acelerar os programas de investigação e desenvolvimento (I&D) e expandir a capacidade de produção, havendo estimativas de que possa mesmo duplicar a produção ainda este ano.
Cerca de 10% das ações serão destinadas a investidores particulares, enquanto metade da operação ficará reservada a investidores estratégicos, entre os quais figuram entidades estatais e grandes empresas tecnológicas chinesas, como a Alibaba e a fabricante de veículos elétricos Nio.
Caso a operação seja bem-sucedida, poderá incentivar outros fabricantes chineses de semicondutores, como a Yangtze Memory Technologies ou a Kunlunxin, unidade de chips da Baidu, a avançarem igualmente para a bolsa, prolongando a vaga de IPO no setor da inteligência artificial (IA).
De acordo com a consultora Omdia, a CXMT é o maior produtor chinês de chips de memória DRAM -- utilizados em equipamentos como telemóveis inteligentes e servidores para IA -- e o quarto maior fabricante mundial, com uma quota de mercado de 7,67% no último trimestre de 2025.
Perante a dependência de um mercado dominado pelas sul-coreanas SK Hynix e Samsung e pela norte-americana Micron, Pequim tem apostado na criação de um campeão nacional no segmento das memórias DRAM, procurando reforçar a autonomia tecnológica chinesa e aumentar a sua influência sobre os preços globais, as cadeias de abastecimento e o equilíbrio geopolítico da indústria, num contexto de crescente rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.