Economia
Famílias desperdiçam mil toneladas de alimentos por dia
No Dia Internacional do Resíduo Zero, um estudo da associação ZERO revela que as famílias portuguesas desperdiçam diariamente mil toneladas de alimentos.
Para assinalar a data, que foi criada em 14 de dezembro de 2022 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável chama a atenção sobre o problema do desperdício alimentar ao longo de toda a cadeia de abastecimento, incluindo ao nível doméstico.
Em nota enviada às redações, a ZERO revela um estudo feito no município de Ourique baseado na caraterização dos resíduos, que revela “dados preocupantes”. “Uma população (bairro ou freguesia) de apenas 300 habitantes pode chegar a desperdiçar até 12 toneladas de alimentos por ano nas suas habitações, colocando-os nos resíduos indiferenciados”.
Extrapolando estes dados, uma cidade de 100 mil habitantes poderá gerar 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados que, em vez de serem consumidos por quem os adquiriu ou serem doados aos setores mais carenciados, terminam em unidades de tratamento de resíduos ou, mais frequentemente, depositados em aterro.
A associação frisa que “ainda que estes números sejam uma pequena amostra e admitindo que possam existir variações entre comunidades locais e entre diferentes municípios, fazendo um exercício para a realidade nacional com base nos dados recolhidos nas duas comunidades de Ourique estaríamos perante números de desperdício alimentar que rondariam as 376 mil toneladas por ano, ou seja, 38 kg/hab*ano, ou ainda, cerca de mil toneladas por dia, um valor que levanta não só questões éticas e ambientais relevantes, mas também económicas, pois representa um desperdício claro de recursos financeiros”.
O flagelo do desperdício alimentar
A ZERO propõe várias formas de detetar o problema do desperdício alimentar e como o quantificar e monitorizar.
“O estudo realizado pela ZERO baseou-se num processo de caracterização física dos resíduos indiferenciados e seguiu as especificações técnicas definidas na Portaria n.º 851/2009, de 7 de agosto, que estabelece as normas técnicas para a identificação e quantificação das frações recicláveis dos resíduos urbanos”, acrescenta a nota.
No entanto, “não sendo esta metodologia adaptada para distinguir o verdadeiro desperdício alimentar, dos restos alimentares inevitáveis que resultam da confeção das refeições (fração não desperdício), optou-se por complementar esta caraterização, seguindo a metodologia utilizada em várias regiões espanholas (Catalunha e País Basco) que discrimina efetivamente estas duas frações”.
O trabalho, desenvolvido em colaboração com o município de Ourique, no âmbito do programa de certificação Zero Waste Cities, analisou os resíduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, mediante uma amostra total de 250 quilos, recolhida em dois momentos ao longo de um ano”.
Os resultados do estudo, realizado no município de Ourique revelam ainda que, “mesmo havendo separação na origem dos biorresíduos alimentares, as famílias tendem a colocar uma parte importante dos alimentos consumidos no lixo, sendo eles restos das refeições, frutas, legumes ou pão a granel, ou alimentos ainda nas suas embalagens”.
No caso dos três bairros analisados em Ourique com 150 habitações e estabelecimentos (hotéis, restaurantes e cafés), 51 por cento dos indiferenciados são biorresíduos e o desperdício alimentar (restos de comida cozinhada, avulso ou misturado com embalagens) mantém uma expressão significativa, representando 28 por cento dos biorresíduos e 16 por cento do total de resíduos caracterizados.
“Considerando que a recolha da fração indiferenciada ocorre três vezes por semana, e assumindo que a composição dos resíduos se mantém constante ao longo do tempo, estima-se que, ao fim de um ano, sejam desperdiçadas mais de 12 toneladas de alimentos, apenas nestes três bairros e apenas na fração de lixo indiferenciado”.
Para combater este desperdício alimentar, a ZERO propõe um conjunto de medidas, alinhadas com a abordagem Resíduo Zero (Zero Waste). Estas podem ser parte integrante dos Planos de Ação municipais para os resíduos urbanos (PAPERSU), mas também ser implementadas por entidades privadas, nomeadamente do canal HORECA, empresas e instituições de ensino, no cumprimento das suas obrigações legais.
O canal HORECA engloba os estabelecimentos que preparam e servem alimentos e bebidas fora da habitação, hotelaria, restauração e cafetaria/catering. Um setor que representa cerca de oito porcento do Produto Interno Bruto.
Entre as principais ações propostas pela ZERO o destaque vai para o desenvolvimento de projetos e programas de racionalização das doses com escolas e outras instituições; desenvolver programas de sensibilização em mercados municipais para promover a utilização do sistema de recolha seletiva dos biorresíduos e para promover o escoamento de alimentos para doação; realizar caraterizações dos resíduos indiferenciados de forma periódica, ao nível do município (seguindo a metodologia em vigor) ou através de atividades de cariz educacional para identificar o desperdício alimentar num setor da sociedade (bairro, escola, associação de empresas, etc).
E ainda a promoção e implementação de um plano de combate ao desperdício alimentar nas empresas para cumprimento do Regime Geral de Gestão de Resíduos e a eliminação dos parâmetros estéticos e os calibres mínimos de venda dos agroalimentos na cadeia de distribuição para evitar o desperdício de legumes e frutas com aspeto desigual.
Para a ZERO, no “caso do Município de Ourique mostra que, mesmo quando existe recolha seletiva dos biorresíduos e soluções adequadas de tratamento é fundamental conhecer a composição dos resíduos indiferenciados do município”.
“Este diagnóstico, idealmente envolvendo as instituições de ensino ou outros stakeholders, permite identificar padrões de consumo e desperdício de alimentos, constituindo uma ferramenta essencial para uma tomada de decisão consciente em termos de políticas públicas ao nível local”, remata o comunicado da ZERO.
Em nota enviada às redações, a ZERO revela um estudo feito no município de Ourique baseado na caraterização dos resíduos, que revela “dados preocupantes”. “Uma população (bairro ou freguesia) de apenas 300 habitantes pode chegar a desperdiçar até 12 toneladas de alimentos por ano nas suas habitações, colocando-os nos resíduos indiferenciados”.
Extrapolando estes dados, uma cidade de 100 mil habitantes poderá gerar 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados que, em vez de serem consumidos por quem os adquiriu ou serem doados aos setores mais carenciados, terminam em unidades de tratamento de resíduos ou, mais frequentemente, depositados em aterro.
A associação frisa que “ainda que estes números sejam uma pequena amostra e admitindo que possam existir variações entre comunidades locais e entre diferentes municípios, fazendo um exercício para a realidade nacional com base nos dados recolhidos nas duas comunidades de Ourique estaríamos perante números de desperdício alimentar que rondariam as 376 mil toneladas por ano, ou seja, 38 kg/hab*ano, ou ainda, cerca de mil toneladas por dia, um valor que levanta não só questões éticas e ambientais relevantes, mas também económicas, pois representa um desperdício claro de recursos financeiros”.
O flagelo do desperdício alimentar
A ZERO propõe várias formas de detetar o problema do desperdício alimentar e como o quantificar e monitorizar.
“O estudo realizado pela ZERO baseou-se num processo de caracterização física dos resíduos indiferenciados e seguiu as especificações técnicas definidas na Portaria n.º 851/2009, de 7 de agosto, que estabelece as normas técnicas para a identificação e quantificação das frações recicláveis dos resíduos urbanos”, acrescenta a nota.
No entanto, “não sendo esta metodologia adaptada para distinguir o verdadeiro desperdício alimentar, dos restos alimentares inevitáveis que resultam da confeção das refeições (fração não desperdício), optou-se por complementar esta caraterização, seguindo a metodologia utilizada em várias regiões espanholas (Catalunha e País Basco) que discrimina efetivamente estas duas frações”.
O trabalho, desenvolvido em colaboração com o município de Ourique, no âmbito do programa de certificação Zero Waste Cities, analisou os resíduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, mediante uma amostra total de 250 quilos, recolhida em dois momentos ao longo de um ano”.
Os resultados do estudo, realizado no município de Ourique revelam ainda que, “mesmo havendo separação na origem dos biorresíduos alimentares, as famílias tendem a colocar uma parte importante dos alimentos consumidos no lixo, sendo eles restos das refeições, frutas, legumes ou pão a granel, ou alimentos ainda nas suas embalagens”.
No caso dos três bairros analisados em Ourique com 150 habitações e estabelecimentos (hotéis, restaurantes e cafés), 51 por cento dos indiferenciados são biorresíduos e o desperdício alimentar (restos de comida cozinhada, avulso ou misturado com embalagens) mantém uma expressão significativa, representando 28 por cento dos biorresíduos e 16 por cento do total de resíduos caracterizados.
“Considerando que a recolha da fração indiferenciada ocorre três vezes por semana, e assumindo que a composição dos resíduos se mantém constante ao longo do tempo, estima-se que, ao fim de um ano, sejam desperdiçadas mais de 12 toneladas de alimentos, apenas nestes três bairros e apenas na fração de lixo indiferenciado”.
Para combater este desperdício alimentar, a ZERO propõe um conjunto de medidas, alinhadas com a abordagem Resíduo Zero (Zero Waste). Estas podem ser parte integrante dos Planos de Ação municipais para os resíduos urbanos (PAPERSU), mas também ser implementadas por entidades privadas, nomeadamente do canal HORECA, empresas e instituições de ensino, no cumprimento das suas obrigações legais.
O canal HORECA engloba os estabelecimentos que preparam e servem alimentos e bebidas fora da habitação, hotelaria, restauração e cafetaria/catering. Um setor que representa cerca de oito porcento do Produto Interno Bruto.
Entre as principais ações propostas pela ZERO o destaque vai para o desenvolvimento de projetos e programas de racionalização das doses com escolas e outras instituições; desenvolver programas de sensibilização em mercados municipais para promover a utilização do sistema de recolha seletiva dos biorresíduos e para promover o escoamento de alimentos para doação; realizar caraterizações dos resíduos indiferenciados de forma periódica, ao nível do município (seguindo a metodologia em vigor) ou através de atividades de cariz educacional para identificar o desperdício alimentar num setor da sociedade (bairro, escola, associação de empresas, etc).
E ainda a promoção e implementação de um plano de combate ao desperdício alimentar nas empresas para cumprimento do Regime Geral de Gestão de Resíduos e a eliminação dos parâmetros estéticos e os calibres mínimos de venda dos agroalimentos na cadeia de distribuição para evitar o desperdício de legumes e frutas com aspeto desigual.
Para a ZERO, no “caso do Município de Ourique mostra que, mesmo quando existe recolha seletiva dos biorresíduos e soluções adequadas de tratamento é fundamental conhecer a composição dos resíduos indiferenciados do município”.
“Este diagnóstico, idealmente envolvendo as instituições de ensino ou outros stakeholders, permite identificar padrões de consumo e desperdício de alimentos, constituindo uma ferramenta essencial para uma tomada de decisão consciente em termos de políticas públicas ao nível local”, remata o comunicado da ZERO.