Ferreira do Zêzere continua a recuperar e aposta nas festas como sinal de união

Ferreira do Zêzere continua a recuperar e aposta nas festas como sinal de união

Seis meses após a tempestade Kristin, Ferreira do Zêzere considera ultrapassada a fase mais crítica da emergência, preparando agora as festas "Viver Ferreira do Zêzere", mas admite que a recuperação está longe de concluída.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Tudo aquilo que dependia de nós foi devidamente feito, mas temos ainda um conjunto de necessidades que não dependem exclusivamente de nós", disse hoje à Lusa o presidente do município, no distrito de Santarém, Bruno Gomes, para quem as festas do concelho, marcadas para agosto, representam "um momento de reencontro, de união, de reforço da identidade local e de confiança no futuro".

A tempestade Kristin atingiu o concelho em 28 de janeiro, provocando prejuízos globais estimados entre 150 e 200 milhões de euros (ME) em habitações, empresas, floresta e infraestruturas.

No caso das infraestruturas municipais, os danos rondam 3 ME, tendo o município recebido um adiantamento estatal de 1,4 ME para fazer face às primeiras intervenções.

Desde então, a autarquia cancelou alguns eventos, reduziu cerca de 200 mil euros em iniciativas culturais e desportivas, e redefiniu prioridades orçamentais para concentrar recursos na recuperação do território.

Seis meses depois, Bruno Gomes afirma que o "Viver Ferreira do Zêzere", agendado para 07, 08 e 09 de agosto, simboliza o regresso gradual à normalidade, reunindo residentes, emigrantes e visitantes, ao mesmo tempo que apoia associações, comércio e restauração.

Segundo o autarca, o maior entrave para a recuperação continua a ser a falta de mão de obra, empreiteiros e materiais.

"Precisamos dar tempo ao tempo e termos uma capacidade de concretização que só vai derivar daquilo que são os empreiteiros e os prestadores de serviços", afirmou.

O presidente da câmara disse ainda aguardar a regulamentação que permitirá apoiar juntas de freguesia, associações e outras entidades afetadas, admitindo que o município terá de avançar, entretanto, com verbas próprias.

Apesar dos progressos, permanecem visíveis os efeitos da tempestade. Continuam condicionados os acessos ao lago Azul/Castanheira e entre Dornes e Vale Serrão, prosseguem obras de estabilização de taludes e pavimentos, e continua a haver postes inclinados ou partidos, cabos de telecomunicações caídos ou apoiados no solo e árvores ainda vergadas pela violência do vento.

Segundo Bruno Gomes, continuam igualmente a existir habitações sem acesso regular à fibra ótica e à televisão, situação que afeta famílias e empresas.

"Com todo o respeito pelas entidades, já era tempo de termos uma reposição maior, mais robusta nesta altura. Compreendo as limitações, mas esperava mais passados seis meses", declarou.

Ao nível da habitação, indicou que praticamente todos os apoios a particulares já foram pagos, mas reconheceu que ainda existem casas protegidas com lonas por falta de empreiteiros para executar as reparações antes do próximo inverno.

Em simultâneo, o município executa vários investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência, entre os quais a requalificação da Escola Pedro Ferreiro, superior a 12 ME, o centro de saúde e oito fogos de habitação social, situação que, admite, aumenta a pressão financeira e operacional sobre a autarquia.

Neste contexto, o município decidiu manter o "Viver Ferreira do Zêzere", assumindo um investimento superior a 200 mil euros.

"Entendemos que estas festas deveriam continuar porque temos de estar em comunidade. É também uma oportunidade para as associações terem uma mais-valia financeira e para mostrarmos que a vida continua", afirmou.

Bruno Gomes recordou que, na edição anterior, as tasquinhas registaram receitas recorde, considerando que o investimento municipal "fica praticamente todo no concelho", e sublinhou o papel das festas como motor económico e símbolo da recuperação coletiva.

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