EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Financiamento bancário e pessoal qualificado essenciais para setor privado timorense

Financiamento bancário e pessoal qualificado essenciais para setor privado timorense

O empresário timorense Nilton Gusmão afastou hoje dificuldades para o setor privado timorense, mas admitiu que o acesso ao financiamento bancário e recursos humanos qualificados são essenciais para mais investimento empresarial em Timor-Leste.

Lusa /

"Não acho que existam grandes dificuldades. O Governo facilita qualquer atividade económica, há legislação que protege investimento e dá incentivo ao investimento", afirmou o diretor executivo da Esperansa Timor Oan (ETO), um dos maiores grupos empresariais timorenses.

Segundo o empresário, o Governo dá isenção de um período de cinco anos de pagamento de imposto para pessoas que investem e também não cobra a importação de matéria-prima.

 "A legislação para beneficiar atividade económica existe. O que falta é o acesso ao capital", disse Nilton Gusmão à Lusa, à margem do encontro entre o Governo e o setor privado timorense, após a apresentação do relatório económico de 2025 pelo Banco Central de Timor-Leste.

O empresário explicou que em Timor-Leste, apesar de existirem várias instituições financeiras, a maioria é estrangeira, e tem limites de financiamento.

"A instituições financeiras não têm liberdade de investir no setor privado", salientou.

Questionado se também faltam recursos humanos, Nilton Gusmão disse que falta mão-de-obra qualificada.

"A secretaria de Estado da Formação Profissional devia concentrar-se em formar pessoas para o mercado de trabalho. Temos de começar a formar cá para o nosso mercado. Se não existir mão-de-obra qualificada continuamos a importar mão-de-obra lá de fora e isso aumenta os custos", afirmou.

Sobre as razões pelas quais o setor privado não contribui mais para o crescimento da economia do país, o diretor executivo do grupo ETO disse que os empresários têm de começar a pensar em estratégias.

"O setor privado também opta pelas atividades mais fáceis. Com algum capital ou fundo importam e vendem. Mas o mais importante é começarmos a produzir e isso necessita de um grande empenho de todos para nos envolvermos mais no setor produtivo. Temos de produzir para conseguir deixar de importar", afirmou.

"A nossa indústria transformadora é incipiente. Isso significa que existem oportunidades e o próprio setor privado é que tem de começar a pensar em estratégias", afirmou.

O empresário considerou também que há "muito trabalho de casa para os governantes e o setor privado, que tem de se começar a organizar para entrar no mercado real".

"Isso é que importante para o país, que precisa de todos", acrescentou.

O Banco Central de Timor-Leste advertiu hoje que o setor privado timorense é pequeno e está concentrado em setores de baixa produtividade e que o seu desenvolvimento está com dificuldades devido a constrangimentos estruturais, incluindo acesso a financiamento bancário.

Segundo aquela instituição, entre 2002 e 2025 o valor real do investimento privado foi de apenas 43,5 milhões de dólares (cerca de 37,7 milhões de euros).

Tópicos
PUB