FMI. Moçambique cresce apenas 0,5% este ano
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Moçambique cresça apenas 0,5% este ano devido à incerteza e à escassez de divisas, depois de uma recessão em 2025, acelerando para 2,7% no próximo ano.
"No ano passado já houve um crescimento negativo e projetamos que, devido à elevada incerteza e à escassez de divisas, a atividade económica deverá continuar pouco dinâmica em Moçambique", disse, em entrevista à Lusa, o chefe-adjunto da divisão de estudos regionais do departamento africano, António David.
O economista apontou que, apesar de os projetos de gás poderem dinamizar o crescimento mais para o final da década, até lá este país lusófono africano vai ser "bastante afetado" pela guerra no Médio Oriente.
"Como Moçambique é um país importador de petróleo, é bastante afetado pelo choque de oferta causado pela crise no Médio Oriente, que vai também afetar bastante as perspetivas de crescimento para 2026", salientou o economista.
Elogiando a capacidade das autoridades para manterem a taxa de inflação abaixo dos 5%, António David alertou para as "pressões orçamentais bastante agudas" e acrescentou que "a mobilização de receitas está a ser afetada por isenções fiscais nos regimes especiais".
Até final da década, salientou, não haverá receitas significativas da exploração de gás natural, pelo que o governo tem de "conseguir colocar a política orçamental numa trajetória viável, reduzindo a dívida pública, estabilizando a economia e aumentando a disponibilidade de divisas estrangeiras e estimular o crescimento do setor privado".
"O crescimento na África subsaariana deve manter-se relativamente estável, situando-se nos 4,3% em 2026 e nos 4,4% em 2027", lê-se nas Perspetivas Económicas Globais, divulgadas no arranque dos Encontros Anuais do FMI e Banco Mundial, que decorrem esta semana em Washington.
As principais economias da região "continuam a beneficiar da estabilização macroeconómica e dos esforços de reforma realizados no passado", apontam os economistas do FMI.
Angola deverá crescer 2,3%, acima dos 2,1% previstos pelo FMI nas anteriores perspetivas, e deverá acelerar para 2,6% no próximo ano, mas ainda assim significativamente abaixo da média regional, que para 2027 é de 4,4%.
A Guiné Equatorial, por seu lado, deverá ficar em recessão neste e no próximo ano, com quebras no Produto Interno Bruto de 2,7% em 2026 e 1,3% em 2027, mantendo uma crise económica que dura há mais de uma década.
Na entrevista à Lusa, António David disse que Cabo Verde deverá registar uma expansão de 5%, em linha com o crescimento previsto para a Guiné-Bissau.
No princípio da semana, o FMI reviu em baixa a previsão do crescimento global de 3,3% para 3,1% em 2026, devido ao impacto do conflito no Médio Oriente, tendo apresentado um conjunto de cenários que mostram os possíveis impactos de uma guerra mais demorada.
No cenário base, o crescimento global está projetado em 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, "mais lento do que o ritmo recente de cerca de 3,4% em 2024-2025".
A previsão para 2026 foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais e a de 2027 permanece inalterada, em comparação com a última atualização global, feita em janeiro de 2026.
O FMI salienta que, antes do conflito, as previsões iriam ser revistas em alta, pelo que este corte se deve largamente às disrupções provocadas pela guerra.