FMI reduz de 2,3% para 2,1% crescimento do PIB espanhol devido à guerra

FMI reduz de 2,3% para 2,1% crescimento do PIB espanhol devido à guerra

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento para Espanha em duas décimas de ponto percentual, para 2,1% no final de 2026, devido ao impacto negativo da guerra no Médio Oriente, indica um relatório.

Lusa /
Madrid Andreia Custódio - RTP

A inflação deverá subir para cerca de 3% até ao final de 2026, e de seguida descer para 2,2% até ao final de 2027.

Ao mesmo tempo, o FMI alertou para as crescentes dificuldades de acesso à habitação, que exigem medidas mais eficazes para aumentar a oferta.

No seu relatório anual sobre Espanha, ao abrigo do artigo IV, que determina a monitorização regular dos Estados-membros, o FMI afirma que a economia continuará a ser suportada pelo consumo e pelo investimento, bem como por uma descida da taxa de poupança para permitir às famílias mitigar o impacto do choque energético.

A instituição recomenda que as medidas fiscais para mitigar o impacto da guerra devem ser bem direcionadas, temporárias e "não devem distorcer os preços da energia".

Refere também que os apoios públicos só devem ser considerados se os custos de financiamento da dívida se mantiverem baixos e se os aumentos de preços afetarem tanto a procura interna como externa.

O Fundo defende ainda uma aceleração na redução do défice público para que Espanha possa recuperar "espaço fiscal" para enfrentar o forte aumento da despesa previsto para as próximas duas décadas, em resultado do envelhecimento da população.

Na área da habitação, o FMI defende o fim do controlo das rendas após um período de três anos que apenas serviu para reduzir "de maneira significativa" a oferta de casas para arrendamento.

Apesar de destacar medidas como a promoção da oferta de rendas acessíveis, defende uma aceleração dos planos de desenvolvimento urbano, a libertação de mais terrenos para construção e a simplificação das licenças de construção, uma matéria onde apela ao empenho dos governos regionais.

Na área laboral, o FMI defende o controlo sobre o aumento das baixas médicas, a redução do subsídio de desemprego para os maiores de 52 anos e a não indexação à inflação do aumento anual do salário mínimo.

Outras medidas que o FMI tem vindo a solicitar há anos incluem a eliminação das taxas reduzidas de IVA para muitos produtos e o alargamento do período contributivo utilizado para o cálculo das pensões de reforma.

Hoje, o Governo de Pedro Sánchez anunciou a descida de 21% para 10% da taxa de IVA nos combustíveis, eletricidade e gás natural, no âmbito de um plano com 80 medidas para minimizar o impacto da guerra no Médio Oriente.

O pacote de medidas, com um custo estimado de cinco mil milhões de euros, inclui também descontos e ajudas no gasóleo para transportadores e para o setor da agropecuária e da pesca, assim como apoios para a compra de fertilizantes para a agricultura.

O Governo espanhol aprovou hoje um outro diploma para congelar as rendas de casa, também no quadro dos impactos da guerra no Médio Oriente, mas para este não conseguiu, até agora, garantir apoios suficientes no parlamento.

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