EM DIRETO
Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito no Médio Oriente

FMI vê Angola a crescer 2,3% e reduz previsão para a África subsaariana para 4,3%

FMI vê Angola a crescer 2,3% e reduz previsão para a África subsaariana para 4,3%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje em alta o crescimento da economia de Angola este ano, para 2,3%, ao contrário da estimativa para a África subsaariana, que desceu 0,3 pontos face à feita em janeiro, para 4,3%.

Lusa /
Benoit Tessier - Reuters

"O crescimento na África subsaariana deve manter-se relativamente estável, situando-se nos 4,3% em 2026 e nos 4,4% em 2027", lê-se nas Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgadas, no arranque dos Encontros Anuais do FMI e Banco Mundial, que decorrem esta semana em Washington.

As principais economias da região continuam a beneficiar da estabilização macroeconómica e dos esforços de reforma realizados no passado", apontam os economistas do FMI.

Exemplo disso é a Nigéria, a maior economia da região, onde "o ritmo de crescimento mantém-se em 4,1% em 2026, apoiado por uma maior estabilidade macroeconómica e efeitos positivos dos termos de troca, enquanto os custos mais elevados dos bens e dos transportes constituem fatores adversos".

A análise mais detalhada sobre os países da África subsaariana será divulgada na quinta-feira, quando o FMI apresentar o relatório sobre a região, mas no documento sobre a economia global fica já a saber-se que Angola teve uma revisão em alta da previsão do crescimento da sua economia para este ano.

Angola deverá crescer 2,3%, acima dos 2,1% previstos pelo FMI nas anteriores perspetivas, e até deverá acelerar para 2,6% no próximo ano, mas ainda assim significativamente abaixo da média regional, que para 2027 é de 4,4%.

A Guiné Equatorial, por seu lado, deverá ficar em recessão neste e no próximo ano, com quebras no Produto Interno Bruto de 2,7% em 2026 e 1,3% em 2027, mantendo uma crise económica que dura há mais de uma década.

Noutra parte do relatório sobre a economia mundial, o FMI diz que, num contexto de incerteza motivado pela guerra no Médio Oriente, "as reduções previstas na ajuda pública ao desenvolvimento (APD) representam um desafio adicional, nomeadamente devido aos seus efeitos nos resultados em matéria de saúde, educação e proteção social".

Na semana passada, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) deu conta de uma "quebra significativa" a nível global, recuando para os valores de 2015.

"A ajuda internacional dos países membros e associados do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) diminuiu 23,1% em termos reais no ano asado, em comparação com 2024, o maior declínio anual na história da APD", anunciou a entidade na semana passada.

A OCDE indicou que, de acordo com dados preliminares, a APD "ascendeu a 174,3 mil milhões de dólares [quase 150 mil milhões de euros] em 2025, representando 0,26% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) combinado destes países, uma descida face aos 214,6 mil milhões de dólares [183 mil milhões de euros], ou 0,34% do RNB, registados em 2024".

O FMI reviu em baixa a previsão do crescimento global de 3,3% para 3,1% em 2026, devido ao impacto do conflito no Médio Oriente, tendo apresentado um conjunto de cenários que mostram os possíveis impactos de uma guerra mais demorada.

No cenário base, o crescimento global está projetado em 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, "mais lento do que o ritmo recente de cerca de 3,4% em 2024-2025".

A previsão para 2026 foi revista em baixa em 0,2 pontos percentuais e a de 2027 permanece inalterada, em comparação com a última atualização global, feita em janeiro de 2026.

O FMI salienta que, antes do conflito, as previsões iriam ser revistas em alta, pelo que este corte se deve largamente às disrupções provocadas pela guerra.

Tópicos
PUB