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"Forte interesse". Lufthansa não desiste da TAP e garante entrega de proposta

"Forte interesse". Lufthansa não desiste da TAP e garante entrega de proposta

O prazo para entregar propostas termina na quinta-feira e a Lufthansa já garantiu que não vai desistir da TAP. Apesar dos impactos do conflito no Médio Oriente no setor da aviação, a companhia alemã assegurou que vai apresentar a proposta de compra da empresa portuguesa.

Inês Moreira Santos - RTP /
António Antunes - RTP

A horas de terminar o prazo, o responsável pela estratégia do grupo alemão defendeu que a Lufthansa é o parceiro com maior capacidade para desenvolver a companhia aérea portuguesa.

“Estamos no processo, temos um forte interesse e tencionamos apresentar uma proposta não vinculativa esta semana”, afirmou Tamur Goudarzi Pour durante um encontro com jornalistas portugueses na sede do grupo alemão, em Frankfurt.

Apesar de reconhecer que a guerra no Médio Oriente está a provocar “impactos estruturais” no setor da aviação, garantiu que a empresa não vai desistir da TAP nem apresentar um “desconto” no preço proposto para a compra da TAP.

Sem avançar com mais pormenores, como valores, o gestor justificou a reserva com a fase do processo: “Estamos prestes a apresentar a proposta e não é o momento certo para dar detalhes”.

O responsável admitiu ainda que uma entrada inicial pode ser minoritária, mas afastou qualquer cenário de saída do processo, defendendo que a integração pode avançar desde logo.

“Muitas das coisas já podem ser feitas com uma participação minoritária, embora outras tenham de esperar”, disse, seguindo uma posição que vai ao encontro do modelo definido pelo Governo português para a privatização, que prevê a venda de até 44,9 por cento do capital, com 5 por cento reservado aos trabalhadores.
Lufthansa com “maior vantagem”
As garantias da Lufthansa surgem numa altura em que persistem dúvidas sobre o interesse de outros potenciais compradores. Depois de notícias avançadas pela Bloomberg darem conta de que a IAG poderia não avançar com uma proposta, fonte oficial da dona da Iberia e da British Airways indicou apenas que, de acordo com o processo, tem até 2 abril para tomar uma decisão.

A Air France-KLM, contudo, já mostrou interesse e espera-se que apresenta ainda proposta, apesar de já ter reiterado várias vezes a intenção de participar na privatização da TAP. Segundo a Lufthansa argumenta, apresenta vantagens face a outros potenciais compradores, destacando a dimensão e capacidade financeira.

“Ser o maior grupo de aviação da Europa e o quarto a nível mundial é, por si só, uma vantagem”, admitiu Tamur Goudarzi Pour, citado pela agência Lusa, acrescentando que entre os benefícios apontados estão ganhos de escala em áreas como compras, tecnologia, distribuição e gestão de receitas, bem como maior resiliência em contexto de crise, nomeadamente face à volatilidade dos preços do combustível e a constrangimentos geopolíticos.

O grupo alemão admite ainda investir na modernização da experiência do cliente, incluindo conectividade a bordo com tecnologia da Starlink, empresa com quem fechou acordo para fornecer wi-fi em todos os aviões do grupo.

“Vai trazer uma dimensão completamente nova à experiência do cliente”.

Além disso, não está nos planos da Lufthansa reduzir a operação da TAP. O objetivo será expandi-la, rejeitando a transferência de tráfego para outros ‘hubs’- plataformas de distribuição de passageiros.

“Não se trata de desviar tráfego para Frankfurt, mas de fazer crescer os ‘hubs’ existentes”, disse ainda o responsável aos jornalistas.

O grupo destacou ainda o potencial estratégico de Lisboa e Porto, nomeadamente como pontos de ligação entre Europa, América do Norte, América do Sul e África, considerando que existe “vantagem natural” na localização geográfica. Nesse contexto, sublinha o peso da TAP no Brasil, onde a companhia portuguesa assegura uma das maiores redes de ligações entre a Europa e aquele mercado, considerado central para o crescimento futuro.

Sobre as limitações operacionais, defende a necessidade de reforçar a capacidade aeroportuária em Lisboa, apontando para a expansão do aeroporto atual no curto prazo, mas sublinhando que a construção de uma nova infraestrutura será inevitável a longo prazo para suportar o crescimento da TAP e do tráfego aéreo em Portugal.

Como exemplo da capacidade de integração, a Lufthansa aponta o caso da ITA Airways, tendo adquirido uma participação inicial de 41 por cento em janeiro de 2025 por 325 milhões de euros, com opção de reforçar a posição no futuro. Sobre o impacto na operação e no emprego, Tamur Goudarzi-Pour indicou que o grupo já reuniu com sindicatos portugueses, sublinhando que o objetivo não passa por "reduzir pessoal, mas por fazer crescer a companhia.

As propostas não vinculativas para a privatização da TAP deverão ser submetidas à Parpública até 2 de abril e deverão incluir uma componente financeira, como o preço oferecido pelas ações e mecanismos de valorização futura (earn outs).

Os interessados terão ainda de apresentar planos industriais e estratégicos, sinergias e garantias de preservação do estatuto da TAP como operador aéreo da União Europeia. Crise energética não altera avaliação da TAP
No mesmo encontro com os jornalistas, o responsável da Lufthansa afirmou que a atual crise energética, provocada pelo conflito no Médio Oriente, não deverá alterar de forma significativa a avaliação da TAP no processo de privatização.

Embora os efeitos imediatos do atual choque - incluindo custos mais elevados de combustível e restrições de tráfego - façam parte dos modelos de avaliação, a Lufthansa garante que nã
“Não podemos estar a alterar o preço a cada três semanas quando há uma crise”. 
o ajusta os valores da oferta com base em flutuações semanais ou de curto prazo.

“Temos de olhar para o que é estrutural no setor e internalizar isso na nossa avaliação, sem alterar o preço a cada novo choque”.

O responsável reconheceu a “crise estrutual” que a indústria da aviação enfrenta com várias incertezas que já começaram a moldar rotas, capacidade e procura, mas reforçou que isso não colocará a Lufthansa numa atitude reativa.

“Temos sempre de internalizar o que é estrutural, não aquilo que é transitório ou volátil”, afirmou.

Tamur Goudarzi Pour disse ainda que a Lufthansa já ajustou a própria programação de voos, retirando ligações a algumas cidades do Médio Oriente até ao final de outubro devido ao impacto direto da atual situação geopolítica e energética, e realocando capacidade para destinos com procura mais estável.

Questionado sobre se isso poderia afetar a formulação financeira da proposta para a TAP, o gestor sublinhou que a oferta que será apresentada esta semana já reflete as avaliações mais recentes e que as negociações e ‘due diligence’ posteriores podem aprofundar esse entendimento.

“O preço de uma oferta não vinculativa é sempre um ponto de partida. Depois há conversas e o processo evolui, e é isso que está previsto neste processo de privatização”, acrescentou.

c/ Lusa
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