Frequência do metrobus do Porto será menor que a anunciada no arranque do projeto

Frequência do metrobus do Porto será menor que a anunciada no arranque do projeto

A frequência de passagem do metrobus do Porto, estimada em cinco minutos quando o projeto foi anunciado em 2021, será afinal de 10 minutos nas horas de ponta, de acordo com informação da Metro do Porto.

Lusa /

"A nossa melhor estimativa é que haja frequências de passagem de 10 minutos, nas horas de ponta. Fora delas, e aos fins-de-semana, estima-se que as viagens ocorram de 15 em 15 minutos", pode ler-se na informação distribuída aos jornalistas pela Metro do Porto na terça-feira após uma viagem de teste.

A informação é relativa ao serviço regular, que arranca em 01 de abril, mas a fase experimental, que arranca sábado e dura um mês, terá as mesmas frequências, segundo o diretor de operações da Metro, João Nuno Aleluia.

As frequências previstas diferem do anunciado no arranque do projeto, em 2021, que apontavam para uma frequência de cinco minutos de passagem dos veículos que, para já, irão fazer o percurso entre a Casa da Música e a Praça do Império, com paragem nas estações Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves e João de Barros.

Em 06 de julho de 2021, foi anunciado que a linha Boavista--Império terá uma frequência de cinco minutos em hora de ponta e a ligação entre os dois extremos demorará 15 minuto, escreveu então a Lusa.

Porém, em março de 2022, com o anúncio da extensão do serviço até Matosinhos, os responsáveis já admitiam que haveria uma "frequência de 10 veículos" por hora, segundo disse então o presidente da Metro do Porto, Tiago Braga.

Algo corroborado pelo ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que confirmou na mesma ocasião que "a frequência passa a ser de seis metrobus por hora, ou seja de 10 em 10 minutos, o que permite que estes autocarros possam viver com o restante trânsito automóvel".

No entender do ex-autarca, isso respondia "a uma das fortes preocupações da população, que temia que o facto de haver vias dedicadas na Marechal Gomes da Costa pudesse acarretar consequências graves no transporte individual", o automóvel.

Com esta decisão, a frequência de passagem do metrobus diminuiu e o projeto deixou de ser um metrobus `puro`, sem circulação totalmente segregada da restante.

Em 24 de maio do mesmo ano, Tiago Braga clarificou que o serviço funcionaria "como um ípsilon" que, no tronco comum, entre as estações Casa da Música e Pinheiro Manso, contaria com 12 passagens por hora em cada sentido, ou seja, um veículo a cada cinco minutos.

Na secção na Avenida Marechal Gomes da Costa, a frequência seria de "um veículo a cada dez minutos" por sentido, ao passo que no serviço que até à Anémona, percorrendo a totalidade da Avenida da Boavista, haveria um veículo a cada sete minutos e meio.

Nessa ocasião, ficou também a saber-se que tinha sido abandonada a intenção inicial de ter duas estações na rotunda da Boavista, uma próxima do metro da Casa da Música e outra ao Bom Sucesso, ficando acordada a estação que acabou por ser construída, no topo nascente da Avenida da Boavista.

Porém, com o desenvolvimento do projeto e o arranque da construção, para contornar os problemas de circundar a rotunda, em janeiro de 2023 chegou a ser equacionada uma solução, acordada entre a Metro do Porto e a Câmara, de introdução de uma inversão de marcha em contramão em frente à Casa da Música, para que o autocarro fizesse a mudança de sentido em 30 segundos.

Em novembro de 2024, a Polícia Municipal apontou que os autocarros teriam de sair do canal do metrobus e entrar em sentido contrário na rotunda da Boavista, o que criaria "graves constrangimentos de trânsito e de perigo para a circulação, violando reiteradamente princípios e regras de circulação automóvel".

Essa solução acabou por ser abandonada definitivamente em junho de 2025, com a STCP, que vai operar o serviço, a considerá-la "inviável", recomendando que o veículo a desse a volta à rotunda.

Em dezembro de 2025 o novo presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, confirmou que o veículo iria mesmo dar a volta à rotunda da Boavista, "mas para garantir que a operação decorre nos tempos previstos - penalizando a eficiência, mas garantindo a operacionalidade e os objetivos - haverá uma redundância de um veículo suplementar" em permanência na Casa da Música.

Contactada pela Lusa, a Metro do Porto não quis comentar.

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