Fundador do Tal & Qual admite "ficar triste" com encerramento do jornal

Fundador do Tal & Qual admite "ficar triste" com encerramento do jornal

O fundador e primeiro director do Tal & Qual, Joaquim Letria, admitiu à Lusa "ficar triste" com o encerramento do jornal ao fim de 27 anos, mas ressalvou que se trata de uma "questão de dignidade".

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Ver um [dos jornais que criei] ir assim custa-me, é até uma estreia", disse Joaquim Letria, acrescentando, no entanto, que o Tal & Qual "já morreu há vários anos e agora só se está a fazer a missa do sétimo dia".

A administração do grupo que detém o Tal & Qual, a Controlinveste, decidiu encerrar o jornal, tendo avisado a direcção na quarta-feira que a próxima será a última edição, disse hoje à Lusa o director, Emídio Fernando.

Referindo que o actual Tal & Qual "não tem nada a ver com o que era nos primeiros 10 a 15 anos", Joaquim Letria lembrou que, quando saíu da direcção, "o jornal vendia cerca de 170 mil exemplares" por semana, sendo que hoje ronda os 9 a 10 mil.

Por isso e "porque fazia mau jornalismo", Joaquim Letria considera que "era uma questão de dignidade acabarem com o jornal", defendendo que a reestruturação editorial e gráfica que o semanário estava a fazer desde o início deste ano era apenas "uma demão" que "não muda tudo".

Fundado em Julho de 1980, o Tal & Qual sofreu nos últimos anos quebras significativas nas vendas.

Em 2004, o semanário contava com uma circulação média paga (vendas em banca e assinaturas) de 21.668 mil exemplares, valor que baixou em 2005 para as 16.059 mil unidades, segundo dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT).

Em 2006 fechou com vendas médias superiores a 13 mil exemplares, sendo que actualmente se encontra abaixo dos 10 mil exemplares.

A agência Lusa tentou contactar a administração do grupo que detém o Tal & Qual, a Controlinveste, mas até agora não foi possível falar com nenhum dos responsáveis.


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