Governo quer suspender PDM de Paços de Ferreira para instalar fábrica
O presidente da Câmara de Paredes revelou que o Governo pretende suspender o Plano Director Municipal (PDM) de Paços de Ferreira para instalar na reserva agrícola e ecológica daquele concelho uma fábrica do grupo Ikea.
"Tenho nas minhas mãos o parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN), que defende essa suspensão, e tenho informações de que ela entra em vigor segunda-feira", disse à Lusa Celso Ferreira.
Paredes, a par de Paços de Ferreira e de Estarreja, é um dos três municípios finalistas no processo de candidaturas para a instalação em Portugal de uma fábrica daquele grupo sueco de mobiliário.
O autarca enviou uma carta ao ministro da Economia considerando que as condições para a instalação da unidade "foram alteradas" e que "sobre tais alterações, súbitas, o município de Paredes não foi informado ou consultado".
"Acresce a este facto que uma das candidaturas se apresenta com pressupostos desiguais e em claro prejuízo da proposta de Paredes", lê-se ainda na carta.
O autarca disse à Lusa que, a confirmar-se a suspensão do Plano Director Municipal (PDM) de Paços de Ferreira, "haverá uma revalidação da legislação de 1986. Ou seja, recuar-se-á 20 anos em termos urbanísticos".
Segundo Celso Ferreira, a zona prevista para a instalação da fábrica corresponde, actualmente, "a área de reserva agrícola, ecológica e militar", incluindo uma zona de sobreiros, árvore protegida em Portugal.
"Ao longo das conversas que fomos tendo neste processo com a Ikea, os seus representantes sempre falaram das preocupações ambientais deste grupo. Acredito que a empresa não faça ideia do que se está a passar", disse.
Daí que, se a intenção de instalar a Ikea em Paços de Ferreira for adiante, Celso Ferreira esteja disposto a pedir "uma audiência urgente à administração da empresa" para lhe expor a situação.
Até porque, garante, o concelho de Paredes dispõe de um parque empresar ial em Baltar/Parada "onde, aliás, o Estado português investiu nos últimos três anos quatro milhões de euros" e que "cumpre rigorosamente todos os requisitos legais e ambientais".
"Fiquei indignado por o parecer da CCDRN, que admite a suspensão do PDM de Paços de Ferreira, alegar que no Vale do Sousa não há alternativa - quando foi ela própria que, em 1999 e 2000, ajudou a criar o Parque Empresarial de Paredes que, dizia então, visava servir toda a região", afirmou.
"O parque foi criado para acolher empresas como a Ikea que viessem para a região. Agora colocam a fábrica no meio do monte. Naturalmente fico surpreendido", disse.
Na carta ao ministro da Economia, o autarca diz que "qualquer benefício premeditado ou inesperado a qualquer das candidaturas concorrentes transformará este processo numa questão de honra para o Município de Paredes, pois prejudica uma unidade territorial que aposta claramente num cluster de importância estratégica para o País".
A unidade fabril do grupo sueco deve criar 225 empregos directos e ocupar uma área de 250 mil metros quadrados.
A instalação da fábrica Swedwood em Portugal foi definida em meados de Janeiro, quando o grupo assinou um memorando de entendimento com a Agência para o Investimento (API), no qual prevê um plano de investimento até 2010.
Na primeira fase de expansão, até àquele ano, o grupo sueco pretende criar mais de 1.650 postos de trabalho directos.
Esta fase contempla tanto a fábrica Swedwood, onde cerca de 90 por cento da produção de móveis será destinada à exportação, como a construção de três novas lojas, uma das quais, a de Matosinhos, vai entrar em funcionamento no próxi mo ano.
Até 2010, o Ikea quer igualmente construir dois centros comerciais, um deles ligado à loja de Matosinhos e outro agregado a uma das futuras unidades da região de Lisboa.
Numa segunda fase de expansão, até 2015, o grupo contempla a abertura de mais duas lojas, num investimento adicional de 100 milhões de euros e criação de mil novos postos de trabalho.
Assim, até 2015, o grupo sueco planeia a intenção de investir mais de 550 milhões de euros em Portugal.
A agência Lusa tentou obter um comentário dos presidentes da Câmara de Paços de Ferreira e da CCDRN, mas até ao momento tal não foi possível.