Governo sela venda da Caixa Seguros aos chineses da Fosun

Governo sela venda da Caixa Seguros aos chineses da Fosun

Foi aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros a venda, por mil milhões de euros, de 80 por cento do capital social da Caixa Seguros ao grupo chinês Fosun International Limited, que passará a dominar cerca de 30 por cento do mercado segurador em Portugal. A decisão, sublinhou o secretário de Estado das Finanças após a reunião semanal do Governo, assenta em “posições unânimes dos assessores da privatização”, da própria Caixa Geral de Depósitos e no “parecer favorável da Comissão Especial de Acompanhamento”.

Carlos Santos Neves, RTP /
Com a compra de 80 por cento da <i>holding</i> do sector segurador da Caixa Geral de Depósitos, a chinesa Fosun passa a dominar perto de 30 por cento do mercado José Manuel Ribeiro, Reuters

Na contenda pela privatização da holding que lidera o mercado segurador português estavam os norte-americanos da Apollo Management International e a Fosun International Limited. A escolha do Governo recaiu, uma vez mais, sobre um grupo chinês, na esteira dos dossiers da EDP e da REN.

A alienação da Caixa Seguros era uma medida inscrita no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

A holding abarca a Fidelidade, que em setembro de 2012 detinha uma quota de mercado superior a 26 por cento, a Multicare e a companhia de assistência em viagem Cares.

Na prática, com a compra de 80 por cento da holding seguradora da Caixa Geral de Depósitos, a Fosun passa a controlar perto de um terço do mercado.

“O Conselho de Ministros selecionou a proposta da Fosun, em especial no que reporta ao encaixe financeiro, ao projeto estratégico, à minimização das condicionantes jurídicas e ao contributo para a preservação da unidade estratégica do grupo segurador”, apontou em conferência de imprensa o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues.

Esta “decisão”, acrescentou o governante, “foi suportada pelas posições unânimes dos assessores da privatização, pela Caixa Geral de Depósitos e pelo parecer favorável da Comissão Especial de Acompanhamento”.

Com a alienação da Caixa Seguros, o banco do Estado vê a sua participação nas três seguradoras em causa reduzida a 15 por cento. Isto porque o processo abre a possibilidade de os trabalhadores destas empresas adquirirem uma parcela de cinco por cento – os títulos que eventualmente sobejarem deverão ser comprados pelo conglomerado chinês.

Foi nomeada, por indicação governamental, uma Comissão Especial de Acompanhamento da privatização da Caixa Seguros, formada por Diogo Leite Campos, José Manuel Costa e Jorge Vasconcelos.
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