Greve na Autoeuropa com forte adesão

Greve na Autoeuropa com forte adesão

Em greve desde as 23h30 de terça-feira. Os trabalhadores da Autoeuropa estão a realizar um protesto contra os horários propostos pela administração para dar resposta à construção do novo automóvel da marca, o T-Roc. A empresa pretende que os funcionários trabalhem aos sábados com uma folga rotativa durante a semana. Às primeiras horas desta manhã fonte sindical afirmou que a fábrica em Palmela está "completamente paralisada em todas as seções".

RTP /

"Tal como prevíamos, está a haver uma forte adesão à greve. Isto prova que os trabalhadores se identificam com os motivos que levaram a esta paralisação", disse Eduardo Florindo, do Sitesul, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.  "Há centenas de trabalhadores em greve que estão concentrados aqui à entrada da empresa".

Este responsável diz que os sindicatos continuam à espera de uma resposta ao pedido de reunião à administração da Autoeuropa, que já disse que só falará depois de terminada a greve.

O protesto, que começou ontem às 23h30, termina às 00h00 de quinta-feira. Uma paralisação aprovada em plenário pelos trabalhadores em rejeição dos novos horários propostos pela empresa.

De acordo com o sindicato Sitesul, com os novos horários que a empresa pretende implementar, cada trabalhador só teria direito a gozar dois dias de folga consecutivas de três em três semanas, quando, a juntar ao dia de folga fixa, domingo, a folga rotativa fosse ao sábado ou à segunda-feira.

As compensações financeiras prometidas em troca por estas alterações - um adicional de 175 euros por mês e mais um dia de férias, para além das regalias previstas na legislação para o trabalho por turnos - não foram suficientes para demover os trabalhadores da Autoeuropa a aceitar a obrigatoriedade do trabalho ao sábado.

À porta da Autoeuropa, esta manhã, dezenas de trabalhadores reuniram-se em protesto.

Greve "precipitada", diz António Chora
Em declarações à Antena 1, António Chora, histórico líder da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, diz que esta greve é precipitada "porque foi feita antes da altura devida. Se tinha um objetivo, abrir negociações, se as negociações abriram, a primeira coisa que se faz eticamente é suspender a greve. Assim, é uma situação um pouco extemporânea e uma mensagem complicada para os alemães.

Porque nem sequer a sua ajuda foi solicitada. Todas as empresas que eu conheço antes da lutas solicitam intervenção do comité europeu, do comité mundial de trabalhadores e depois então avançam para os processos que têm de avançar".

António Chora diz ainda que "precipitar uma greve é sempre uma maneira de influenciar alguém" e acusa a CGTP e o PCP de estarem a "utilizar esta situação para ganharem aquilo que há muitoas anos andam a tentar ter que é o domínio da comissão de trabalhadores e a sua intrumentalização, como é evidente".


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