Economia
Greve no Metro de Lisboa. Não há serviços mínimos
Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa vão cumprir dois dias de greve, hoje e na próxima terça-feira, dia 14 de Abril. O Tribunal Arbitral não decretou serviços mínimos.
A administração da Metro de Lisboa prevê que o serviço seja encerrado até às 06:30 de sexta-feira, devido à greve dos trabalhadores, acontecendo o mesmo no dia 14 de abril.
Para este período de greve, não foram decretados serviços mínimos, apesar do pedido da administração, que não foi deferido em tribunal.
Horas antes do plenário dos trabalhadores, agendado para as 23:00, que se destina a decidir sobre se mantêm a greve de 24 horas na quinta-feira ou não, a Metropolitano de Lisboa emitiu um comunicado em que dá conta da previsão de que "o serviço de transporte será afetado no período determinado" pelas greves de dia 09 e 14 de abril.
"Embora as reivindicações incidam sobre seis das cerca de 40 categorias profissionais existentes no Metropolitano de Lisboa, correspondentes a aproximadamente 6% dos 1.600 trabalhadores, as condições de operação ficam comprometidas na sua globalidade", pode ler-se na nota.
Segundo a administração, até às 16:30 foram mantidas "negociações com as organizações representativas dos trabalhadores", tendo apresentado, diz, "soluções concretas para cada uma das matérias suscitadas pelas organizações sindicais", entre ações já em curso e medidas previstas.
"O Metropolitano de Lisboa considera ter dado uma resposta cabal às reivindicações relacionadas com o pré-aviso de greve, prestando um contributo relevante para ultrapassar os fundamentos que estão na sua origem. O Metropolitano de Lisboa reitera que, ao longo deste processo, foi mantido um esforço sério, responsável e de boa-fé", afirmam.
Os trabalhadores tinham comunicado a intenção de realizar uma greve de 24 horas na quinta-feira e na terça-feira da próxima semana, relacionada com o incumprimento de acordos assinados em 2019, nomeadamente ao nível da formação e organização do trabalho, rejeitando a dirigente sindical da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), Sara Gligó, que estejam em causa aumentos salariais.
O plenário das 23:00 de hoje decorre na sequência de uma contraproposta apresentada esta tarde pela administração do Metropolitano de Lisboa, segundo explicou à agência Lusa Sara Gligó, dirigente sindical da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).
"Iremos ter um plenário cerca das 23:00 mas, para já, vemos com muita dificuldade a suspensão da greve de amanhã (quinta-feira)", antecipou Sara Gligó.
No entanto, a sindicalista ressalvou que a última decisão de avançar ou não para a paralisação de 24 horas "será sempre dos trabalhadores".
A dirigente sindical explicou que a administração apresentou uma nova proposta, mas que o curto espaço de tempo até ao início da paralisação, previsto para a meia-noite, poderá dificultar a auscultação dos trabalhadores.
"Tem tudo a ver com condições de trabalho, formação de trabalhadores para estas categorias e o retirar de algumas funções", afirmou, acrescentando que os trabalhadores sentem-se "desrespeitados".
Se avançar, a greve não terá serviços mínimos, conforme decisão do Tribunal Arbitral constituído no Conselho Económico e Social, que determinou apenas a prestação de serviços necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações.
De acordo com a decisão, deverão ser assegurados três trabalhadores no Posto de Comando Central, preferencialmente um inspetor de movimento, um encarregado de movimento e um encarregado da sala de comando e de energia, devidamente identificados pelos sindicatos.