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Greves sem data de término ameaçam parar França

Greves sem data de término ameaçam parar França

Nesta paralisação juntam-se professores, trabalhadores do gás, eletricidade, indústria e maquinistas. Ao contrário das greves anteriores, os sindicatos anunciaram que não há data de término fixa. O dia 7 de março marca a sexta ação do setor industrial contra os planos do governo em aumentar a idade da reforma de 62 para 64.

Carla Quirino - RTP /
Stephane Mahe - Reuters

Perto de um milhão e meio de pessoas são esperadas nas manifestações por toda a França.

Os sindicatos garantem que será o maior protesto até agora, desde que o governo apresentou as alterações da idade de reforma.

As principais confederações dos sindicatos franceses – incluindo o CFDT e o CGT – anunciaram “grèves reconductibles”. Implica que os trabalhadores votam no final de cada dia de greve sobre a continuidade da paralização. Ao contrário das ações anteriores, a paralisação que arranca esta terça-feira não tem data de término fixa.

As forças sindicais defendem que as paralisações contínuas devem interromper a vida quotidiana e ameaçar a economia tão severamente que obriguem o governo de Emmanuel Macron a recuar.

"Sempre dissemos que iríamos acelerar se necessário", afirmou o dirigente sindical do CGT, Philippe Martinez, ao semanário francês Journal du Dimanche no domingo. "Será o caso na terça-feira."

Para os trabalhadores do gás e da eletricidade, “as paralisações iniciadas na sexta-feira, 3 de março, continuarão no mínimo até o dia 7 e no máximo até vencermos”, vincou o secretário-geral da confederação sindical CGT Energie, Sébastien Ménesplier.
Bloqueio de refinarias
Esta manhã, a saída de combustível de todas as refinarias em França foi bloqueada. O sindicato CGT-Chimie, avançou à Agência France Presse, que as refinarias TotalEnergies, Esso-ExxonMobil e Petroineos estão "bloqueadas" na sequência dos protestos.

O secretário-geral do sindicato reformista CFDT, Laurent Berger, declarou que vai ser um "dia de mobilização extremamente forte" e pediu ao presidente Emmanuel Macron para não "ficar de ouvidos tapados" perante os protestos.

Durante a noite de segunda para terça-feira, os manifestantes iniciaram um bloqueio de uma estrada em Rennes, no oeste da França.
Macron vs Sindicatos
Entre as alterações legislativas propostas pelo Executivo de Macron está o aumento em dois anos na idade de reforma- 62 para 64 – o que colocará França mais alinhada com os restantes países da União Europeia - 65 anos.

A lei também prevê estabelecer novas regras para o aposentado poder receber uma pensão completa e retira alguns privilégios a funcionários do setor público, como os do metro de Paris. Estas reformas, defende o governo, permitem pequenos aumentos para as pensões mais baixas.

O executivo pretende apressar a legislação no parlamento e garantir um voto a favor até 26 de março. Mesmo que o partido de centro de Macron não tenha maioria na Assembleia Nacional, o governo deve contar com o apoio do partido de direita Republicanos em ambas as câmaras para garantir as maiorias necessárias.

Para os sindicatos a principal reivindicação é travar estas mudanças e chamar à atenção sobre as penalizações que irão atingir os trabalhadores não qualificados.

Os sindicatos são apoiados pelo partido político de extrema-esquerda France Unbowed (LFI), que quer que a idade de reforma seja reduzida para 60 anos, assim como pelos Socialistas e Verdes.

De acordo com a France 24, cerca de dois terços dos eleitores são contra as mudanças, e a maioria das pessoas apoia as greves.

Os protestos de 2023 podem superar os de 2010, quando o presidente de direita Nicolas Sarkozy elevou a idade da reforma de 60 para 62 anos.
José Manuel Rosendo - RTP
“A ideia é paralisar a França” Os autocarros urbanos locais e metro nas grandes cidades foram afetados. As companhias aéreas esperam que cerca de 30 dos voos sejam cancelados até quarta-feira devido à paragem dos controladores de tráfego aéreo.

Os comboios para a Alemanha e a Espanha estão parados e os que se destinam para a Grã-Bretanha serão reduzidos em um terço, de acordo com a autoridade ferroviária SNCF.

Os transportadores rodoviários estão a desacelerar e bloquear rotas para as principais cidades o que impactará a distribuição de bens aos supermercados.

Os professores das escolas primárias e secundárias fazem uma greve de um dia deixando muitos alunos sem aulas. A Universidade Rennes 2, na Bretanha, foi bloqueada durante a noite por estudantes. Os sindicatos estimaram que 60 por cento dos professores do país estão a fazer greve. O Ministério da Educação fala em 30 por cento.

Muito do lixo nas ruas de Paris não está a ser recolhido porque os funcionários estão de greve desde segunda-feira.

“A ideia é paralisar a França”, disse Fabrice Michaud, do ramo ferroviário do sindicato CGT.

As manifestações já começaram em várias cidades, como em Nice, no sul, ou Reims, no nordeste, ou Marselha.



c/agências
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