Economia
Greves sem data de término ameaçam parar França
Nesta paralisação juntam-se professores, trabalhadores do gás, eletricidade, indústria e maquinistas. Ao contrário das greves anteriores, os sindicatos anunciaram que não há data de término fixa. O dia 7 de março marca a sexta ação do setor industrial contra os planos do governo em aumentar a idade da reforma de 62 para 64.
Perto de um milhão e meio de pessoas são esperadas nas manifestações por toda a França.
As principais confederações dos sindicatos franceses – incluindo o CFDT e o CGT – anunciaram “grèves reconductibles”. Implica que os trabalhadores votam no final de cada dia de greve sobre a continuidade da paralização. Ao contrário das ações anteriores, a paralisação que arranca esta terça-feira não tem data de término fixa.
"Sempre dissemos que iríamos acelerar se necessário", afirmou o dirigente sindical do CGT, Philippe Martinez, ao semanário francês Journal du Dimanche no domingo. "Será o caso na terça-feira."
Durante a noite de segunda para terça-feira, os manifestantes iniciaram um bloqueio de uma estrada em Rennes, no oeste da França.
A lei também prevê estabelecer novas regras para o aposentado poder receber uma pensão completa e retira alguns privilégios a funcionários do setor público, como os do metro de Paris. Estas reformas, defende o governo, permitem pequenos aumentos para as pensões mais baixas.
O executivo pretende apressar a legislação no parlamento e garantir um voto a favor até 26 de março. Mesmo que o partido de centro de Macron não tenha maioria na Assembleia Nacional, o governo deve contar com o apoio do partido de direita Republicanos em ambas as câmaras para garantir as maiorias necessárias.
Para os sindicatos a principal reivindicação é travar estas mudanças e chamar à atenção sobre as penalizações que irão atingir os trabalhadores não qualificados.
c/agências
Os sindicatos garantem que será o maior protesto até agora, desde que o governo apresentou as alterações da idade de reforma.
As forças sindicais defendem que as paralisações contínuas devem interromper a vida quotidiana e ameaçar a economia tão severamente que obriguem o governo de Emmanuel Macron a recuar.
Para os trabalhadores do gás e da eletricidade, “as paralisações iniciadas na sexta-feira, 3 de março, continuarão no mínimo até o dia 7 e no máximo até vencermos”, vincou o secretário-geral da confederação sindical CGT Energie, Sébastien Ménesplier.
Bloqueio de refinarias
Esta manhã, a saída de combustível de todas as refinarias em França foi bloqueada. O sindicato CGT-Chimie, avançou à Agência France Presse, que as refinarias TotalEnergies, Esso-ExxonMobil e Petroineos estão "bloqueadas" na sequência dos protestos.
O secretário-geral do sindicato reformista CFDT, Laurent Berger, declarou que vai ser um "dia de mobilização extremamente forte" e pediu ao presidente Emmanuel Macron para não "ficar de ouvidos tapados" perante os protestos.
Macron vs Sindicatos
Entre as alterações legislativas propostas pelo Executivo de Macron está o aumento em dois anos na idade de reforma- 62 para 64 – o que colocará França mais alinhada com os restantes países da União Europeia - 65 anos.
Para os sindicatos a principal reivindicação é travar estas mudanças e chamar à atenção sobre as penalizações que irão atingir os trabalhadores não qualificados.
Os sindicatos são apoiados pelo partido político de extrema-esquerda France Unbowed (LFI), que quer que a idade de reforma seja reduzida para 60 anos, assim como pelos Socialistas e Verdes.
De acordo com a France 24, cerca de dois terços dos eleitores são contra as mudanças, e a maioria das pessoas apoia as greves.
Os protestos de 2023 podem superar os de 2010, quando o presidente de direita Nicolas Sarkozy elevou a idade da reforma de 60 para 62 anos.
José Manuel Rosendo - RTP
“A ideia é paralisar a França” Os autocarros urbanos locais e metro nas grandes cidades foram afetados. As companhias aéreas esperam que cerca de 30 dos voos sejam cancelados até quarta-feira devido à paragem dos controladores de tráfego aéreo.
Os comboios para a Alemanha e a Espanha estão parados e os que se destinam para a Grã-Bretanha serão reduzidos em um terço, de acordo com a autoridade ferroviária SNCF.
Os transportadores rodoviários estão a desacelerar e bloquear rotas para as principais cidades o que impactará a distribuição de bens aos supermercados.
Os professores das escolas primárias e secundárias fazem uma greve de um dia deixando muitos alunos sem aulas. A Universidade Rennes 2, na Bretanha, foi bloqueada durante a noite por estudantes. Os sindicatos estimaram que 60 por cento dos professores do país estão a fazer greve. O Ministério da Educação fala em 30 por cento.
Muito do lixo nas ruas de Paris não está a ser recolhido porque os funcionários estão de greve desde segunda-feira.
“A ideia é paralisar a França”, disse Fabrice Michaud, do ramo ferroviário do sindicato CGT.
As manifestações já começaram em várias cidades, como em Nice, no sul, ou Reims, no nordeste, ou Marselha.
As manifestações já começaram em várias cidades, como em Nice, no sul, ou Reims, no nordeste, ou Marselha.
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— PAME Greece International (@PAME_Greece) March 7, 2023
📌MARSEILLES, France #strike demonstration breaks all records!
📣250.000 people flood the streets of Marseilles!#grevedu7mars #GreveGenerale #greve7mars #Blocage7mars #BlocageDeLaFrance @UDCGT13 @OlivierMateu @UniteCGT pic.twitter.com/HkKFQJyTzG
c/agências